29/03/2021 às 10h59min - Atualizada em 29/03/2021 às 10h59min

Série Juízas: “vejo a magistratura como um papel transformador social no dia a dia das pessoas”, diz a magistrada Laura Costeira

Quarta participante do quadro "Mulheres da Justiça: série Juízas", a magistrada Laura Costeira é amapaense

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Foto: TJAP

Quarta participante do quadro "Mulheres da Justiça: série Juízas", a magistrada Laura Costeira é amapaense e comenta sobre os desafios da carreira, a importância do diálogo com a sociedade, as adaptações do Poder Judiciário na pandemia e o que espera da Justiça do futuro. Desde o primeiro semestre da faculdade, Laura sabia que queria a carreira da magistratura, objetivo alcançado há 10 anos, quando assumiu o cargo de Juíza de Direito Substituta do TJAP. Tendo atuado nas comarcas de Oiapoque e Porto Grande, atualmente é titular do Juizado da Infância e Juventude-Áreas de Políticas Públicas e Execução de Medidas Socioeducativas. 

 

Somos iguais a todos

“Existem alguns estigmas sobre a figura do juiz, mas nós somos humanos, falíveis. Obviamente, no trabalho tentamos em cada sentença, em cada decisão proferida, acertar ao máximo. Existe uma situação de acharem que temos privilégios, mas somos iguais a todos, somente por atribuição constitucional é que julgamos as causas do outro."

 

A pandemia confirmou que o Judiciário do Amapá se adequa a qualquer situação

“Nós já usávamos as videoconferências, mas em casos excepcionais, porém, com a pandemia passou a ser uma regra. Existem algumas dificuldades nessa modalidade, pois assim como é muito fácil colocar em um ambiente juiz, promotor, defensor e a parte, quando todos têm acesso a equipamentos e conexão de qualidade, existem casos em que, infelizmente, nem todos têm esse aparato. Então, temos que ver a melhor forma de ajudar nesses processos. Mas eu vejo muitos pontos positivos no Judiciário, em relação às adaptações tecnológicas."

 

Já ouvi coisas como - se ela ficar com todas as colheres eu vou comer com o que? 

São nessas horas que a gente se desarma e vê que nossos problemas são pequenos perto da realidade de muitos. Mas quando eu chego para presidir uma audiência e as partes estão discutindo até a partilha dos talheres, porque é o que eles têm, eu vejo que eles não estão brigando por mesquinhez, mas sim porque é o que eles têm. Nas audiências, eu reflito muito sobre a potencialização que eu dou aos meus problemas pessoais, que parecem ser os maiores problemas do mundo, mas quando chego lá, vejo que não são”. 

 

Precisamos de um olhar sensível 

"Eu já tive a experiência nos interiores do estado, fui titular em Oiapoque e Porto Grande. Nós temos que conhecer a realidade local para que as nossas decisões sejam adequadas para aquele lugar, e sempre trabalhar em parceria com todas as instituições que forem possíveis, visando a melhoria daquela localidade. Eu gosto da parte social do meu trabalho, porque vejo como uma retribuição".

 

A magistratura como meta

"A escolha da magistratura não foi por sonho, mas um objetivo. Quando comecei a estagiar, ainda na faculdade, eu já almejava a magistratura, e eu persegui até alcançar. Talvez, essa escolha esteja relacionada à minha infância, porque meus pais moravam nas redondezas do TJAP, então, eu cresci vendo tudo de perto, inclusive, os primeiros juízes federais eram nossos vizinhos. Acho que isso criou em mim esse olhar diferenciado para a magistratura."

 

O diálogo como a principal prática de conciliação

"Eu espero da ‘Justiça do futuro’ muita dedicação e celeridade, para buscar a finalidade de cada processo. Também desejo que nós, como sociedade, consigamos ter o diálogo como a principal prática de conciliação. Sinto que a sociedade está perdendo a capacidade de conversar. É muito mais fácil sentar com meu vizinho e dialogar sobre a árvore que está caindo para o meu quintal e resolver com ele do que judicializar e deixar que o juiz decida."

 

Equilibrar a vida pessoal e a vida profissional

"Como mãe e magistrada, o maior desafio é conciliar o trabalho do dia a dia forense com a manutenção do lar e da família. E na pandemia, esses ajustes estão bem mais árduos. Mas, toda mulher tem uma força que, às vezes, nem ela tem noção do quanto é grande. Nós precisamos sempre lembrar disso, pois com ela conseguimos tudo, seja educar o filho, escalar na carreira profissional ou manter a família."


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