30/04/2021 às 11h38min - Atualizada em 30/04/2021 às 11h38min

Filhos de ex-namoradas confirmam que foram agredidos por Dr. Jairinho

Duas crianças afirmaram, em depoimentos na Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DCAV), terem passado por sessões de tortura

Com informações Metrópoles
Foto: Reprodução
A Polícia Civil do Rio deu mais um passo para a conclusão do inquérito sobre a morte do menino Henry Borel Medeiros, de 4 anos, assassinado dentro de casa no dia 8 de março. Principal acusado do crime, o vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho (sem partido), também é suspeito de ter agredido filhos de outras ex-namoradas.

Dois desses menores confirmaram, em depoimentos prestados na Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DCAV), que sofreram torturas por parte do parlamentar.

As agressões foram denunciadas pelas mães das crianças ao delegado Henrique Damasceno, titular da 16ª DP (Barra da Tijuca), quando ouvidas como testemunhas na apuração da morte de Henry. Os depoimentos seguiram para a especializada, que abriu dois novos procedimentos investigativos, como revela o Jornal O Globo.

A primeira criança a ser ouvida na DCAV foi a filha de uma cabeleireira que conheceu Jairinho em 2010 e chegou a ficar noiva do vereador, com quem manteve relacionamento até 2014.

A menina, de 13 anos, contou que teve a cabeça batida pelo então padrasto contra a parede do box de um banheiro. Relatou ainda ter sido pisada por Jairinho nos fundos de uma piscina para que ela não conseguisse levantar e respirar.

Ouvida pelos investigadores, a avó da criança relatou que, ao questionar o vereador sobre um machucado na testa da menina, ele respondeu que o ferimento foi provocado por uma batida no console do carro após freada brusca durante ida a um shopping. Em outra ocasião, disse a avó, a garota chegou com o braço imobilizado, e Jairinho afirmou que a enteada teria se lesionado no decorrer das aulas de judô.

O professor da academia, também em depoimento, negou ter recordações desse episódio.

A avó afirmou ter estranhado o comportamento da neta quando ela lhe agarrou e, chorando e vomitando, pediu para que não a deixasse sair sozinha com Jairinho. Cerca de oito meses depois, ao assistir a um programa de televisão que abordava casos de violência doméstica, a menina admitiu as agressões sofridas.

Ao ser preso por policiais da 16ª DP, no dia 8 de abril, Jairinho prestou depoimento ao delegado Adriano Marcelo Firmo França, titular da DCAV, e negou as acusações feitas pela ex-namorada.

Em relação à filha da cabeleireira, o vereador disse que eles tinham uma relação “amistosa” e não mantinha com a menina “grau de intimidade”, negando que tenha saído sozinho com a criança ou a levado a qualquer lugar que tivesse piscina. Também contestou as informações de que teria torcido o braço da enteada, dado “mocas” em sua cabeça e colocado um saco em seu rosto para sufocá-la.
 

Pano na boca

A segunda criança a depor na especializada foi o filho da estudante Débora Melo Saraiva, que começou a se envolver com Jairinho em 2014 e diz ter se relacionado com o político durante seis anos, entre idas e vindas, tendo em vista que, na época, o parlamentar era casado com a dentista Ana Carolina Ferreira Netto, mãe de dois dos seus três herdeiros.

O menino, atualmente com 8 anos, relatou que o vereador colocou um papel e um pano em sua boca, avisando que ele não poderia engoli-los. Jairinho teria colocado a criança deitada em um sofá na sala de sua casa em Mangaratiba, subido no móvel e pisado sobre o corpo do enteado.

Débora relatou também que, em outra ocasião, o filho torceu o joelho quando estava sozinho com Jairinho. O vereador ligou dizendo que o menino havia sofrido a lesão. Informou ainda que médicos de uma clínica particular constataram que se tratava de fratura no fêmur. A mãe do garoto afirmou ter estranhado o fato de a criança não ter chorado em nenhum momento, mesmo diante do machucado grave.

O advogado Braz Sant’Anna, que representa o vereador, informou, segundo O Globo, que não vai se pronunciar sobre os procedimentos instaurados pela Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DCAV). Jairinho e Monique Medeiros da Costa e Silva, mãe de Henry, estão presos sob acusação de envolvimento com a morte de Henry.

 


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