24/08/2021 às 13h19min - Atualizada em 24/08/2021 às 13h19min

PF investiga se Planalto organiza e financia manifestações convocadas para 7 de setembro

Delegados questionam alvos da operação sobre encontros com a cúpula do Planalto

Com informações da Gazeta Brasil
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

De acordo com a CNN Brasil, a Polícia Federal (PF) iniciou uma investigação para apurar qual a participação do Governo Federal na organização e do financiamento das manifestações previstas para ocorrer no dia 7 de setembro. De acordo com depoimentos prestados à PF na última semana, por alvos da operação deflagrada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, os delegados da PF questionam os motivos dos encontros dos envolvidos com integrantes do governo.

Em um deles, o caminhoneiro Marcos Antonio Pereira Gomes, conhecido como ‘Zé Trovão’, é questionado sobre encontros com o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, e com o ministro do Turismo, Gilson Machado. No entanto, o caminhoneiro nega relação com os atos.

No texto do depoimento é mencionado “Que ao ser perguntado sobre viagem para Brasília, no dia 9 de agosto, de Marcos Antônio Pereira. Gomes, juntamente com Turíbio Torres, Sergio Bavini (nome artístico Sergio Reis). Eduardo Araújo e Juliano da Silva Martin com que ficaram hospedados no hotel Golden Tulip, na qual houveram (sic) encontros com o assessor especial da Presidência da República Mozart Vianna, com o ministro do Turismo Gilson Machado, com os deputados federais Nelson Barbudo e Hélio Lopes e com o ministro Augusto Heleno, respondeu que o propósito dessa viagem era organizar o que iria acontecer em Brasília no dia 07/09/2021, e que tais encontros foram casuais: Que o declarante esteve no Palácio do Planalto em reunião para tratar de assunto afeto à classe dos caminhoneiros; Que não foi discutido o impeachment dos ministros do Supremo Tribunal Federal com essas autoridades; Que não se encontraram, casualmente, com outras autoridades, além daquelas citadas acima; Que não sabe quem financiou os gastos de deslocamento, hospedagem e alimentação desse grupo de pessoas em Brasília” cita.

Em outro momento, os delegados perguntam se o caminhoneiro sabe quem financia o movimento, e mostra que a conta PIX na qual os organizadores pedem que as doações sejam feitas pertencem a Coalizão Pró-Civilização Cristã: “Que não tem conhecimento do valor arrecadado pelo movimento ‘7 de setembro’ até a presente data; Que não sabe a destinação dada aos valores arrecadados pelo movimento, com exceção de passagem aérea comprada em nome do declarante, que tinha origem em Curitiba e destino em Rondônia; Que não houve aporte de dinheiro público para os fins do movimento em questão; Que não sabe o motivo para a coleta de dinheiro de particulares para financiar o movimento ser transferido para uma chave PIX ligada à Coalizão Pró-Civilização Cristã; Que não sabe os nomes dos responsáveis pelo financiamento (confecção de cartazes, faixas, camisetas, transporte de populares, comunicação, gasolina, aluguel de cozinha comunitária c banheiros químicos etc.) do movimento que pretende destituir os ministros do Supremo Tribunal Federal;” diz.

Na investigação, também é mencionada e investigada a participação de parlamenares como a deputada federal Carla Zambelli e também de empresários nos atos. Em nota, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, disse que já esteve em encontros com caminhoneiros, mas que "Jamais conversei sobre paralisações ou manifestações. Foram sempre conversas apolíticas e apartidárias mostrando a importância da categoria e o esforço de vários setores do governo em apoiá-los e atender suas demandas” diz.

Já o ministro do Turismo, Gilson Machado, informou, por meio de nota, que se encontrou com alguns organizadores "de maneira casual enquanto almoçava em um restaurante em Brasília e atendeu aos pedidos deles para tirar fotos com eles". Em resposta, a deputada federal Carla Zambelli declarou que não é organizadora das manifestações de 7 de setembro e sim divulgadora. A deputada também destacou que participará apenas das manifestações realizadas em São Paulo. Carla também enfatiza que "não é segredo para ninguém" que ela possui uma visão crítica sobre parte da atuação do Supremo Tribunal Federal.


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