08/07/2019 às 06h00min - Atualizada em 08/07/2019 às 06h00min

Amapá e Guiana vão fortalecer formação de professores da escola bilíngue

A proposta de intercâmbio na Guiana Francesa para professores foi anunciada durante XI Reunião da Comissão Mista Transfronteiriça, em Macapá

Portal Amapá
José Festá e Goreth Souza falaram sobre os avanços da oferta de ensino de língua francesa no Amapá e da língua portuguesa na França. (Erich Macias/Seed)

A educação é um dos laços fortes de cooperação franco-amapaense. Um símbolo desta relação é a criação, em 2018, da Escola Estadual Professora Marly Maria e Souza da Silva, primeira unidade escolar de classes bilíngues (português e francês) em Macapá, projeto idealizado pelo Governo do Amapá em parceria com a Embaixada da França no Brasil.

Foi acordado que os professores da escola bilíngue terão uma formação diferenciada este ano durante intercâmbio na Guiana Francesa.

A proposta foi apresentada pela secretária de Estado da Educação, Goreth Sousa, e pelo coordenador geral de Formação Continuada do Rectorat, José Festá. Eles relataram sobre os avanços da oferta de ensino de língua francesa no Amapá e da língua portuguesa na França, bem como a formação para professores e a importância deste ensino em ambos os lugares.

“Temos, em média, 70 professores de português na Guiana, e há 7.500 alunos que estudam português como língua estrangeira. Nós somos o único local da França que vai ter a língua portuguesa e literatura brasileira como disciplinas no vestibular. Isso é fruto dessa relação de cooperação”, pontuou Festá.

A secretária Goreth Sousa disse que o Amapá possui, atualmente, 153 professores de francês distribuídos nas escolas da rede estadual de ensino. Além disso, existe o trabalho do Centro Estadual de Língua e Cultura Francesa Danielle Mitterrand e o do Centro Cultural Franco Amapaense.

“Somente o Franco Amapaense atende a mais de 800 estudantes. Também há capacitações de taxistas do Oiapoque no uso da língua francesa, e de profissionais de saúde no atendimento aos indígenas. É um trabalho grandioso que atende o povo amapaense”, considerou.

Capacitação de professores

O Governo do Amapá, em parceria com a Embaixada da França, já ofertou curso de formação para professores amapaenses em Paris, capital francesa, e outros em Brasília (DF), ao longo de 2017. A expectativa é ter o maior número possível de profissionais capacitados, garantindo, assim, a melhor formação escolar como um todo.

Em novembro deste ano, a Guiana Francesa sediará o Estágio Amazônico, intercâmbio de práticas pedagógicas e reflexão linguística para os professores de Português Língua Estrangeira da Guiana Francesa e os de Língua Francesa da rede estadual do Amapá.

Cooperação interuniversitária

Foi proposta a criação de um ambiente virtual, que envolvam todas as instituições que compõem o Platô das Guianas, para fazer a integração entre as universidades e instituições de pesquisas junto ao Amapá. A ideia inicial é que seja um espaço virtual onde seja possível disponibilizar pesquisas de ambos os lugares, e que haja ampliação dessa rede com a criação de cursos conjuntos que tenham professores de vários países envolvidos.

Cooperação com o Sesi/Senai
O Serviço Social da Indústria (Sesi) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) possuem um termo de cooperação com a Guiana Francesa para ofertar cursos livres tendo como público-alvo a população que busca inserção no mercado de trabalho e geração de renda.

Os cursos são ministrados em unidades móveis do Senai que vão para a Guiana Francesa, como, por exemplo, o curso de panificação. Esse curso teve bastante êxito pois há mais de 100 panificadores no território, e antigamente era necessário recrutar esses profissionais.

Relação transfronteiriça

A fronteira do Amapá com a Guiana Francesa possui uma população estimada em 32 mil habitantes, sendo 26,6 mil pessoas só em Oiapoque, no extremo norte do Amapá, e aproximadamente 3 mil em Saint Georges, ambos divididos pelo Rio Oiapoque e, agora, interligados pela Ponte Binacional.

A Guiana Francesa é um departamento ultramarino da França com uma população total estimada em 296.711 e tem como principais atividades econômicas a agricultura, o turismo e a pesca. Para tratar das relações transfronteiriças, foi criada a CMT como parte do Acordo de Cooperação Mista, assinado em maio de 1996 e ratificado com o Plano de Ação da Parceria Estratégica, registrado e divulgado em fevereiro de 2008.


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