06/12/2021 às 10h21min - Atualizada em 06/12/2021 às 10h21min

A ira evangélica contra Alcolumbre - e a ameaça de não perdoá-lo nas urnas.

O senador do Amapá, que tem perdido todas as batalhas em que se meteu, vai enfrentar teste final para sobrevivência política em 2022.

Fonte Veja
Foto: Sérgio Lima /Poder 360
No próximo dia 16, o ex-advogado-geral da União André Mendonça finalmente vai assumir uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF), após uma longa e tortuosa via crúcis que se arrastou por 142 dias em que esbarrou na incansável tentativa do senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) de sabotar a sua indicação. Judeu, Alcolumbre foi acusado de promover uma "guerra santa" contra o pastor presbiteriano Mendonça - e entrou na mira de lideranças evangélicas, que prometem não perdoá-lo tão cedo.

Depois de ver o irmão sair derrotado da disputa pela prefeitura de Macapá, não conseguir o aval do STF para tentar a reeleição no comando do Senado, perder o controle na destinação de emendas e de ser confrontado com as revelações de VEJA de que um esquema milionário de foi instalado sem pudores no seu gabinete, Alcolumbre vai enfrentar um teste final para a sua sobrevivência
política em 2022: as urnas.

"A situação política do senador Davi é a pior de toda sua história política. Não somente os evangélicos do Estado, mas toda a sociedade amapaense está chocada com a covardia política que ele praticou. Se o povo pudesse, o tiraria do Senado antes das eleições que vem", desabafa o pastor da Assembleia de Deus e professor de direito da Universidade Federal do Amapá, Besaliel Rodrigues.

"O povo evangélico do Brasil anotou o nome dele, que vai ficar na memória quando vier a disputa pelo Senado do Amapá. Os cristãos do Amapá dirão 'não' pra Alcolumbre no Senado", reforça o Pastor Guaracy Junior presidente estadual da Igreja do Evangelho Quadrangular, que deve disputar o Senado no ano que vem.  


Para o pastor Gesiel Oliveira, presidente internacional da Aliança Pró-Evangélicos do Brasil e Exterior (Apebe), Alcolumbre atacou a sua própria base eleitoral ao trabalhar nos bastidores contra a indicação de Mendonça.

"Essa estratégia destruiu qualquer possibilidade de reeleição. Ainda é incerto quem vai ocupar essa vaga, mas definitivamente uma coisa é certa, o senador que o Amapá vai mandar para o Senado em 2023 não será o não será o Davi Alcolumbre", prevê Gesiel.

A fúria dos evangélicos em relação à protelação da sabatina de André Mendonça não é o único problema que Alcolumbre vai enfrentar em seu Estado. O nome do senador ficou muito associado à rachadinha em seu gabinete. Reportagem de VEJA mostrou que Alcolumbre contratou seis mulheres da periferia de Brasília em troca de elas devolverem a maior parte do salário e de não trabalharem. As mulheres eram registradas como assessoras de Alcolumbre, tinham salários entre 4.000 e
14.000 reais,  mas ficavam com uma pequena parte, entre 800 e 1.350 reais.

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