31/07/2019 às 14h00min - Atualizada em 31/07/2019 às 14h00min

Conheça as frentes de trabalho do Núcleo Psicossocial do Juizado de Violência Doméstica e Familiar de Santana

A assistente social Janice Divino explica que multidisciplinaridade da equipe do Juizado de Violência Doméstica de Santana é necessária em razão dos conflitos domésticos serem distintos aos demais

TJAP
Núcleo Psicossocial desenvolve diversos projetos, incluindo também o estreitamento nas relações com outras instituições de apoio às vítimas da violência doméstica e familiar contra a mulher. (TJAP)

O Núcleo Psicossocial do Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher da Comarca de Santana, que tem como titular a juíza Michelle Farias, realiza relevantes serviços que prezam pelo atendimento psicossocial às famílias em situações traumáticas resultado da violência dentro do próprio lar, seja por meio de violência física ou por outros meios, como a violência sexual, patrimonial ou moral. O Núcleo atualmente conta com uma equipe formada por uma psicóloga, uma assistente social e um estagiário de nível superior, além do apoio de toda a secretaria da unidade.

A assistente social Janice Divino explica que multidisciplinaridade da equipe do Juizado de Violência Doméstica de Santana é necessária em razão dos conflitos domésticos serem distintos aos demais, uma vez que envolvem pessoas com vínculo afetivo construído dentro do próprio lar. Em virtude das peculiaridades desse elo e por ele merecer um olhar diferenciado da parte do Judiciário, o Núcleo Psicossocial desenvolve diversos projetos, incluindo também o estreitamento nas relações com outras instituições de apoio às vítimas da violência doméstica e familiar contra a mulher.

Janice reforça o atendimento diferenciado realizado pela equipe do Juizado. “As sequelas desses conflitos são perceptíveis nos comportamentos das mulheres agredidas no âmbito doméstico, e em crianças que vivem em um ambiente familiar hostil”, ressalta Janice.

“A equipe do Núcleo Psicossocial trabalha com a prevenção, por meio de palestras, círculos de diálogos, práticas de socialização nas escolas, pois muitos alunos vivenciam o problema dentro do próprio lar e não sabem como buscar apoio”, relata.

“Esse trabalho reflexivo se caracteriza, também, como uma prevenção à reincidência dos casos, e ao acompanhamento das partes envolvidas ao longo do processo”, conclui.

PROJETOS

Entre os projetos executados pelo Núcleo destaca-se a campanha Justiça pela Paz em Casa, promovida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e por todos os tribunais do país, no qual se agiliza processos relacionados à violência contra a mulher e combate com mais veemência o feminicídio.

A 14ª Semana Justiça pela Paz em Casa acontecerá nos dias 19 a 23 de agosto, no Fórum de Santana. Neste período, a equipe do psicossocial intensifica seus trabalhos criando eventos que tragam a sociedade junto à rede de atendimento da mulher, como palestras em escolas e em outras instituições.

Outra frente de atuação são os Círculos de Restabelecimento, que são realizados desde 2015 e desenvolvidos com as mulheres atendidas no juizado que estão sob medidas protetivas, e se encontram fragilizadas emocionalmente, cada uma trazendo uma história que gerou desgaste e mágoas. São trabalhados o fortalecimento e a autoestima na vítima para que, mesmo após a situação traumática, ela possa entender que a vida continua e seu futuro terá um novo direcionamento.

Também com o objetivo de trabalhar a reflexão com base na Justiça Restaurativa por meio dos círculos transformativos, cuja finalidade é respeitar o outro a partir de sua própria história, é executado desde 2018 o projeto “Transformando Trajetórias”. A atividade promove círculos de diálogos com homens autores de violência doméstica, cujas vítimas se encontram sob medida protetiva de urgência. A ação dura três meses, com dois encontros mensais durante o início da vigência das medidas protetivas.

De acordo com a assistente social Janice Divino, “é importante trabalharmos a aproximação do homem, autor da violência contra a mulher, contribuindo para que ele entenda que seus atos reproduzem suas experiências e a forma com a qual foram constituídos”.

“Contamos com todo apoio da juíza Michele e da Secretaria do Juizado, que confiam em nosso trabalho, nos incentivado em relação à nossas ideias e atividades. São ações do Núcleo Psicossocial, mas englobam todos, desde a nossa Secretaria da unidade até os demais membros rede de atenção à mulher, na qual promovemos aos profissionais cursos de capacitação em gênero e atendimento para essas vítimas em situação de violência doméstica”, concluiu Janice Divino.


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