01/08/2022 às 19h37min - Atualizada em 01/08/2022 às 19h37min

Após cirurgia de 27 horas, médicos brasileiros separam gêmeos siameses unidos pela cabeça

Arthur e Bernardo Lima compartilhavam parte do cérebro e uma veia principal que leva o sangue de volta ao coração; eles foram considerados os mais velhos a serem separados

R7
Foto Reprodução

Gêmeos brasileiros de 3 anos que nasceram unidos pela cabeça foram separados após passarem por uma cirurgia de 27 horas no Brasil. Eles foram considerados os gêmeos craniópagos (unidos pelo crânio) mais velhos a serem separados.  

"Os gêmeos tiveram a versão mais grave e difícil da doença, com maior risco de morte para ambos", disse o neurocirurgião Gabriel Mufarrej, do Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer, à AFP. 

Arthur e Bernardo Lima nasceram em uma zona rural de Roraima, na região Norte do Brasil, em 2018, e compartilhavam parte do cérebro e uma veia principal que leva o sangue de volta ao coração.  

A instituição de caridade médica Gemini Untwined, do Reino Unido, que ajudou a realizar o procedimento, descreveu o caso como "a separação mais desafiadora e complexa até hoje", já que as crianças compartilhavam várias veias vitais.

A equipe médica, que incluiu cerca de cem profissionais, preparou-se para os delicados estágios finais da cirurgia nos dias 7 e 9 de junho com a ajuda da realidade virtual – varreduras cerebrais para criar um mapa digital do crânio compartilhado das crianças. Os profissionais realizaram uma cirurgia experimental em Londres e diversos treinamentos no Rio.  

O neurocirurgião britânico Noor ul Owase Jeelani, cirurgião-chefe da Gemini Untwined, chamou a sessão de preparação de realidade virtual de "coisa da era espacial".  E acrescentou: "Você pode imaginar como isso é reconfortante para os cirurgiões... Fazer isso em realidade virtual foi realmente uma coisa de homem em Marte".



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