02/07/2020 às 10h00min - Atualizada em 02/07/2020 às 10h00min

Em entrevista, Pini diz que denúncias ao CNJ foram armação contra ela

Enquanto tenta justificar o pedido de aposentadoria às vésperas do julgamento no CNJ, a desembargadora Sueli Pini fala que fez o pedido para justamente deixar portas abertas no caso de uma possível punição.

Da Redação
Foto: Ascom/Tjap/ARQUIVO.
Com voz mansa e citando cinema, a desembargadora Sueli Pini concede entrevista e tenta explicar o pedido de aposentadoria que deu entrada e mais do que isso, tenta desvencilhar esse pedido ao julgamento iminente que está por sofrer no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) após ter criticado o lockdown em Macapá. 

Entre as primeiras coisas ditas na entrevistas está a dita certeza que seu processo no CNJ é fruto de uma armação para lhe prejudicar.

“Eu estou sofrendo um procedimento no Conselho Nacional de Justiça, fruto de uma orquestração razoavelmente bem feita, e também sendo acusada de ter expressado minha opinião sobre o lockdown”, disse. 

A desembargadora fala do processo iniciado após suas críticas às medidas restritivas impostas pelo poder público para tentar desacelerar a pandemia no Amapá. Recursos pró-vida, uma vez que o Amapá chegou ao topo dos estados em número de contágios por população habitacional. 

Na época, enquanto o poder público e judiciário do Brasil se unia para encontrar soluções para a crise instalada e para salvar o máximo de vidas possíveis, a desembargadora escreveu cartas e foi à mídia criticar as ações de isolamento. 

Os conselhos e orientações de Sueli Pini, por ser uma pessoa conhecida e ocupar um cargo de destaque, foi seguido por muitas pessoas, o que pode ter ocasionado várias mortes. A desembargadora chegou ao cumulo de declarar que preferia pular em uma piscina cheia de coronavírus a ter que ficar em lockdow. 

As cartas confeccionadas pela desembargadora se transformaram em material de denúncia feita no CNJ. Desde então Sueli Pini passou a responder 04 procedimentos que estão para ser julgados dia 21 de julho. Entre eles está um em que a desembargadora é acusada de ter se apropriado, indevidamente, de diárias enquanto estava no TRE. As diárias seriam para uma viagem que não aconteceu e deveriam ter sido devolvidas, o que também não foi feito.

Fuga?
O pedido de aposentadoria de Pini chegou agora, nesse contexto de julgamento que lhe aguarda e para sermos bem específicos, um dia antes do dito julgamento. 

Durante a entrevista, a desembargadora diz que ambos os processos não estão ligados. Já em outro trecho, diz que pediu a aposentadoria para garantir “uma ou duas portas abertas” durante o processo que pode lhe condenar. 

“Eu fiz o meu pedido de aposentadoria para deixar portas abertas (...) fui juíza por muitos anos, tudo pode acontecer em um julgamento, sei como os processos podem terminar”. 

Maldição
Sueli diz que está sofrendo uma orquestração para desconstruir sua imagem e afirmou que não tem provas, mas que sabe que existem forças internas, no caso do TJAP, e externas de políticos expressivos do Amapá que trabalham para lhe aniquilar, “essa é a verdade, não quero falar isso como se fosse uma vítima, mas essa é a verdade”.

A desembargadora disse também que estava mandando um “recadinho” para os seus inimigos, “muito cuidado, porque isso pode ser um tiro no pé, pode até dar certo, mas vocês tem uma chance enorme de me transformar em uma mártir, olha meus inimigos, cuidado, eu costumo dizer que eu tenho uma maldição e todas as pessoas que buscaram fazer mal pra nós, elas terminaram mal”

Comerciante 
A desembargadora aproveita a entrevista para dizer que já recebeu muitos convites externos, inclusive, segundo ela, vindo de um ministério em Brasília. Diz que, apesar do pedido de aposentadoria ter sido feito dia 29/06 (segunda-feira, na quarta já tinha conhecimento que o presidente Lages o teria indeferido). O que não falou foi que pediu aposentadoria especial, o que não pode ser feito já que perdeu o prazo para requerer esse tipo de aposentadoria, o pedido agora deve ser por via comum.

Também diz que não pretende retirar o pedido de aposentadoria pois quer entrar para o ramo do comércio, incluindo os filhos nesse caminho, pois seria proibido cogitar a possibilidade um deles entrarem para o serviço público. A desembargadora não cita que na realidade a família já está no ramo de comércio, um dos filhos e a esposa são donos de lojas no Amapá.

“Lá em casa é proibida a palavra concurso público, cargo público. Quero que meus filhos vão ser empreendedores”. 

A desembargadora finaliza a rápida entrevista citando um filme e dizendo que queria ter vivido pelo menos outras quatro vidas. Bom, é bem possível que sejam bem mais que quatro as vidas amapaenses perdidas, que podem ter sido influenciadas pelas palavras de banalização da pandemia proferidas por Pini no momento mais crítico dessa crise.
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