14/05/2019 às 16h00min - Atualizada em 14/05/2019 às 16h00min

Vereadores de Macapá usaram mais de meio milhão com diárias para o Bailique e Pacuí

O Transparência da câmara municipal aponta que foram mais 247 viagens só para os dois distritos de Macapá, totalizando R$ 516,200,00 (quinhentos e dezesseis mil e duzentos reais) usados dos cofres públicos

redação
Foto de: Rosivaldo Nascimento
O que você faria se morasse em um pequeno distrito e tivesse mais de meio milhão para investimento exclusivo em melhoria de qualidade de vida para a população? Pois saiba que a Câmara Municipal de Macapá (CMM) gastou R$ 516,200,00 (quinhentos e dezesseis mil e duzentos reais) com diárias de viagens para servidores e vereadores, nos anos de 2017, 2018 e 2019 para apenas dois distritos de Macapá.

No total foram 274 viagens e a justificativa é, na maioria das vezes, citada nas portarias, "realizar visitas aos moradores e lideranças do distrito visando a elaboração de projetos e ações que possam proporcionar melhor qualidade de vida aos moradores da região".

Os valores acima citados foram pesquisados no portal de Transparência da Câmara de Macapá, e se referem a viagens de servidores e vereadores aos distritos do Bailique e São Joaquim do Pacuí. O levantamento aponta que, de janeiro a maio de 2019, o valor gasto com diárias ultrapassa R$ 47 mil.

Projetos
Tentado entender o montante gasto com a quantidade de diárias, a reportagem realizou pesquisas na tentativa de encontrar projetos implantados nos distritos e que foram provenientes das visitas realizadas, nada foi encontrado.
As conversas com alguns moradores do Bailique e pesquisas realizadas no portal da CMM e na internet mostram apenas dois requerimentos, um da vereadora Patriciana Guimarães e do vereador Japão Baia. No entanto, a pesquisa não conseguiu revelar a que se refere os dois requerimentos. 

Durante a sessão do dia 10 de maio desse ano, o vereador Nelson Souza usou a tribuna da CMM para relatar que o arquipélago do Bailique enfrenta uma série de problemas e que, por ter uma forte relação com o distrito, propõe uma sessão itinerante no arquipélago para ouvir a população, levantar os problemas e propor soluções.

Um dos problemas apontados pelo vereador é a dificuldade que a população enfrenta com as interrupções de energia. Nas palavras do vereador, "quando não falta energia elétrica, as quedas de energia são constantes". É necessário que o vereador seja informado que o problema com a energia elétrica é uma constante no estado do Amapá inteiro.

O posicionamento do vereador Nelson Souza soa no mínimo estranho, pois foram realizadas 274 viagens, com um custo que ultrapassou R$ 516 mil, para escutar os moradores dois distritos de Macapá e realizar um levantamento que, possivelmente, apontou vários problemas, inclusive o da falta e queda de energia elétrica.

Resposta
A reportagem conseguiu contato com Leonardo Trindade, diretor de comunicação da CMM e segundo ele, os gatos que estão no portal da câmara são responsabilidade da gestão anterior, de Acácio Favacho. "A partir do dia 05 de abril, quando o vereador Marcelo Dias assumiu a presidência da CMM, criamos uma comissão que avalia a necessidade das viagens, tanto de vereadores como de assessores e funcionários e a relação custo-benefício dessas viagens. No retorno para Macapá, será necessário a apresentação de relatório para a prestação de contas, o sistema mudou, antes não existia qualquer critério de avaliação para se saber a real necessidade do trabalho a ser realizado", disse o assessor.
Além dos gastos citados nessa reportagem, também gastos para outros lugares como São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e Fortaleza podem ser consultados no Transparência da CMM no endereço www.camaramacapa.brasiltransparente.net/transparencia

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