A Pandemia venceu a Política e igualou os homens, de todos os credos, da humanidade fazendo vítimas em todos os continentes, até na gelada Antártida. O novo e mutante Coronavírus Covid 19 fez doentes em todo o Planeta e abalou a Economia globalizada.
Vidas foram ceifadas em todas as regiões do globo, das mais ricas e invejadas Nações aos países com menor IDH.
Vitimou seres humanos que habitam desertos, pradarias, montanhas, gélidas regiões, ilhas. Moradores, tanto de mansões em luxuosos condomínios quanto de palafitas, em carentes localidades. Atingiu fiéis dos vários credos tanto quanto ateus e agnósticos. Deixou vulneráveis idosos e crianças, mulheres e homens, de todos os níveis de escolaridade, de todas as faixas etárias, saudáveis ou portadores de comorbidades. É a humanidade que está exposta.
Em certa medida, tudo o que as ideologias políticas e as religiões tentaram o vírus conseguiu: somos todos de algum modo a ele vinculados, sejam os não imunizados apavorados; os incientes, perigosamente ajudando a propagá-lo; os profissionais da Saúde obrando em seus misteres; os pesquisadores buscando o melhor resultado, no menor espaço de tempo; os políticos tentando construir alternativas viáveis para proteger as pessoas e não deixar naufragar a economia…
Se nem todos se sentem iguais perante a lei, decerto se sentem perante um vírus traiçoeiro e que parece que não seguiu os iniciais protocolos dos órgãos de saúde e desafiou a OMS e as orientações políticas. Até a Suécia agora aderiu ao uso das máscaras, algo que não havia indicado no início da Pandemia. Mais de 40 países suspenderam vôos oriundos do Reino Unido, depois que nova variação do vírus lá surgiu. A Bolsa e os mercados mundiais osciliam, reagindo às notícias e a um final da Pandemia que parece não estar seguramente tão próximo. Aqui, o dólar voltou a oscilar.
Tapumes substituem vitrines, tanto em lojas de rua quanto em Shoppings Centers. O desemprego cresce, os auxílios governamentais não são eternos e nem a fome é por longo tempo suportada nas casas das pessoas. O clima de caos transparece em alguns lugares, os profissionais de saúde estão sobrecarregados e os hospitais e UTIs lotados, enquanto as praias e bares estão cheios. Como? As coisas parecem não se encaixar! Cansados? Todos estamos, porém teremos mais batalhas pela frente.
A natureza estava em coma e parece que está despertando e reagindo a tantos desmandos. A espécie humana mexeu demais com o Planeta, que parece lutar contra isso.
No início da Pandemia, “promessas de mudança” de comportamento foram feitas nas redes sociais. Agora, em fins do ano devemos nos perguntar sobre quais e quantas daquelas efetivamente cumprimos. Mudamos ou esperamos que mudem o mundo para nós? Cadê a responsabilidade social, a empatia, o respeito ao próximo e os cuidados gerais prometidos e logo esquecidos assim que se flexibilizou o isolamento social… ?
Roupas com certas cores eram usadas na noite de Reveillon. Talvez as máscaras passem a ser o diferencial. Brancas, amarelas ou vermelhas, revelando os desejos de mudança para 2021. Não importa se isso faz ou não diferença, mas aconselho não repetirmos a mesma roupa que usamos no Reveillon passado, porque parece que não deu certo!
Natal! Jesus, o aniversariante, tem Amor tão grande que a noite em que se comemora o Seu nascimento nos proporcionou divino momento, para intercâmbio dos melhores sentimentos e de presentes, como se fossemos nós os aniversariantes. Talvez, por termos de nos contentar em ver pelas telas os nossos familiares e amigos, sem poder nos abraçar, tocar, beijar e sem sentir o calor dos seus corpos, passemos a dar mais valor, no próximo e seguintes eventos comemorativos, se realmente isso valorizarmos, se não for encontro só para posar com brindes e mesa farta… Que valorizemos o afeto, o amor, o carinho, a atenção e o respeito. Que valorizemos as reais relações humanas e não a superficialidade por vezes ostentada em fotos, onde os sorrisos estampados ofuscam a dor da solidão das almas oprimidas.
Mais do que lâmpadas coloridas, precisamos acender na nossa intimidade a verdade e a consciência de que sozinhos nada somos. Mais do que presentes comprados para exibir em símbolo o que desejamos demonstrar, que cada vez mais seja o desejado abraço apertado a revelar o sentimento… Que uma ligação ou mensagem enviada aqueça as amizades e os laços de irmandade, que um sorriso sincero, preocupação real e solidariedade sejam frequentes durante o ano vindouro e não apenas nas datas comemorativas.
Falamos nisso porque vivemos de símbolos, os quais acabam perdendo a sua real dimensão e se reduzindo a si e, aos olhos de alguns, perdendo aquilo que de bom queriam apenas representar. De fato, a vida cotidiana, corrida, acelerada, superficial e exaustiva engoliu parte da sensiliblidade e o senso crítico de muitos de nós… Deixamo-nos levar ao sabor dos ventos e absorvemos apenas a superficialidade de alguns dos símbolos, mais para fomentar o aumento das vendas do que para viver toda a dimensão dos momentos, únicos no que representam.
O “espírito do Natal” é poderoso e narra-se que silenciou até o fogo cruzado em trincheiras, durante a 2ª Guerra Mundial.
Que essa mensagem nos oriente a estar com a vestimenta mais apropriada, não sobre o corpo, mas sob o peito, no coração. Que as nosssa almas brilhem e levem ao próximo os melhores sentimentos. Que na passagem do ano a pureza das nossas altaneiras intenções em relação ao próximo e ao Planeta sejam maiores do que o valor da nossa vestimenta corporal.
Mais do que momentâneas alegrias, que sintamos a Felicidade e que essa se espalhe por todos os dias vindouros.
Que a anunciada Era de Aquário nos liberte dos aquários em que trancamos nossas libertas almas para nos entregar à solidão, mesmo cercados de gente. Que nos idenfiquemos com o outro, que a empatia floresça, que a humanidade se prepare para viver de modo mais solidário e com adequada integração com a Natureza.
Que o ano de 2021 esteja à altura dos melhores desejos de cada um de nós!
Rogerio Reis Devisate
Advogado. Defensor Público/RJ junto ao STF, STJ e TJ/RJ. Palestrante. Escritor.