A amamentação é um momento único de fortalecimento dos laços afetivos entre a mãe e o bebê. O início desse processo pode ser muito difícil para a mulher, uma vez que ela está com as emoções à flor da pele, fragilizada e cansada pelo desgaste do parto. Por isso, os primeiros dias e semanas após a chegada do bebê são decisivos, e o parceiro pode contribuir e facilitar esse processo.
A psicóloga do Hospital da Mulher Mãe Luzia (Hmml), Vanessa Helen, explica que processo de amamentação tende a deixar o parceiro em segundo plano, pois ele não amamenta.
No entanto, sua participação é fundamental como apoiador, e sua trajetória inicia antes mesmo do nascimento do bebê, com pesquisas para adquirir conhecimento sobre o assunto.
“É importante que ele se informe sobre amamentação. Procure leituras sobre o tema, se interesse por relatos de amigos que já passaram pelo processo, ou pessoas da própria família. Tudo para que quando chegar o seu momento, ele tenha desenvoltura e conhecimento do assunto e não fique sem saber como agir para apoiar sua parceira”, explicou a psicóloga.
O parceiro precisa encorajar a mãe que amamenta, conversar e incentivar, mostrar os benefícios e os ganhos que o bebê tem com o leite materno e o bem que traz para a saúde emocional e física de todos os envolvidos. Com o apoio, a mulher vai se sentir segura, mais feliz e motivada.
Além de incentivar, o parceiro precisa oferecer ajuda prática para a mulher que amamenta, pois é a pessoa mais próxima naquele momento, em todo o seu dia a dia. Ajudar nos afazeres domésticos; oferecer água; colocar o bebê no colo; acordar até mesmo nas famosas mamadas da madrugada, em que a mãe está cansada e sonolenta. Nessas situações, o parceiro deve estar presente e sempre oferecer apoio.
Um exemplo de parceiro participativo é o engenheiro florestal Rodrigo Freire, de 33 anos. Pai de primeira viagem de Kakashi, dois meses, ele não sabia nada sobre bebês. Agora, aprendeu a segurar no colo, a colocar para arrotar e a trocar as fraldas para ajudar sua esposa, a psicóloga Darcineyde Dias, 29 anos.
“Quando meu filho nasceu eu não sabia exatamente o que fazer, pois no início o bebê só mama, dorme e suja muitas fraldas. Então percebi que o melhor seria apoiá-la na nossa nova rotina. Precisava garantir que ela se alimentasse bem, ficasse confortável e conseguisse descansar sempre que possível. Ainda tenho muito a aprender, mas sinto que estou no caminho certo e cada vez mais aumentando nossos laços, tanto entre pai e filho, quanto com minha esposa”, ponderou Rodrigo.
Para Darcineyde, o fato de poder contar com a ajuda do parceiro é motivadora. Ela disse que o processo de amamentação traz ansiedade e o emocional da mulher precisa estar muito bem preparado. Com ela tem sido assim, pois tem com quem dividir medos, afazeres e os cuidados com o pequeno Kakashi.
“O apoio do meu parceiro está sendo fundamental. A recuperação do pós-parto é difícil, a gente sente fome, sede, o bebê, por sua vez chora, precisa tomar banho, trocar a fralda. Então o simples ato de ter alguém para te oferecer uma água, um lanchinho, ajudar nos cuidados com o Kakashi, me tranquiliza. Meu dia é em função do bebê e poder contar com a participação do meu esposo me faz sentir mais segura”, reforçou.
Para a família e os amigos, que estão próximos de mães que amamentam
Todos precisam entender que não tem hora, lugar ou posição certa para amamentar, sempre será o que é bom para mãe e para o bebê. É fundamental que todos possam participar sempre respeitando para tornar o ambiente adequado, e a mãe possa nutrir seu filho tranquilamente para que cresça com saúde.
“Não há necessidade de críticas, elas não contribuem e podem deixar a mulher triste. Cada mãe, tem sua forma de lidar com a situação. Em vez disso, escute as angustias dessa mãe, motive, encoraje, ofereça ajuda prática. Amamentar é um momento sublime, difícil no início e que precisa de muito carinho e apoio”, finalizou Vanessa Helen.