Eleito sem maioria no Congresso, o governo Lula tem lutado nos últimos meses para construir uma base legislativa e atravessa um momento crítico nessa batalha. No entanto, resolveu pisar no freio para evitar ceder mais poder e não receber nada em troca. Surpreendendo políticos e analistas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não demitiu, na terça (13), a ministra Daniela Carneiro, do Turismo, para acomodar outro nome do União Brasil, o do deputado federal Celso Sabino (União-PA).
Daniela estará na reunião ministerial que Lula convocou para esta quinta (15/6), assim como os outros dois ministros indicados pelo União Brasil no início do ano e que a bancada do partido na Câmara agora pressiona para trocar: Juscelino Filho, das Comunicações, e Waldez Góes (PDT), da Integração e Desenvolvimento Regional.
Para atender os deputados que o pressionam, Lula e seus articuladores querem ter alguma garantia de que o partido presidido por Luciano Bivar vai se tornar mais governista e menos independente. Mas essa garantia não existe no momento.
O que existe é uma queda de braço entre Palácio do Planalto e Congresso pelo controle do Orçamento federal. Os líderes parlamentares têm ampliado seu poder sobre os cofres públicos desde o impeachment da petista Dilma Rousseff e a posse de Michel Temer (MDB), em 2016. A situação se ampliou ainda mais com Jair Bolsonaro (PL), com a criação do orçamento secreto. Lula foi eleito em 2022 com a promessa e o objetivo de frear essa marcha ao que no mundo político tem se chamado de “semiparlamentarismo”.
Os parlamentares, especialmente os do chamado centrão, porém, resistem a essa ambição de Lula e têm dificultado a vida do governo nas votações desde o início do ano. Para pautas que contam com a simpatia do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), como o novo arcabouço fiscal, até há facilidades. Mas aquilo que só interessa ao Executivo, como a reorganização dos ministérios, a luta é grande e permeada pelo risco de derrotas.
Xadrez está sendo jogado
Nessa disputa pelo controle do Orçamento, Executivo e Legislativo têm se estudado bastante antes de cada jogada. O governo Lula deverá atender o União Brasil em suas trocas, mas está deixando o partido em banho-maria, apesar das ameaças de desembarque definitivo da bancada de 59 deputados. No entorno do presidente, ninguém se arrisca a apostar em quando ele fará a minirreforma ministerial.
Antes de assinar a troca no Turismo e em outras pastas, Lula quer conversar mais seriamente com caciques do União Brasil. Ele também buscar uma “saída honrosa” para Daniela Carneiro, que foi importante na campanha do petista no Rio de Janeiro ao lado do marido, Waguinho, prefeito de Belford Roxo. O casal contribuiu para a eleição do petista com votos significativas em uma região com perfil bolsonarista: a Baixada Fluminense.
Estão em jogo também cargos no segundo escalão. Na substituição no Turismo, por exemplo, o PT de Lula quer garantir que não entre na combinação o comando da Embratur, empresa ligada ao ministério e hoje presidida por Marcelo Freixo, filiado ao PT e com ambições eleitorais no Rio de Janeiro. Já a bancada do União quer poder indicar outra pessoa para presidir a empresa, que tem gordo orçamento e muita visibilidade.
Com informações do Metrópoles

