Controlada pelo Centrão, a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf) está na mira do grupo de transição anticorrupção do governo Lula (PT).
Segundo informações do O Globo, o grupo da transição já começou a dividir entre seus membros os temas a serem tratados e as funções de cada um.
Um dos focos será examinar as principais contratações feitas pela Codevasf, órgão que ficou conhecido como “estatal do Centrão” e foi utilizado para repassar recursos do orçamento secreto, mecanismo de distribuição de verba para parlamentares, para redutos políticos de aliados do governo Bolsonaro.
“Vamos tentar obter junto à CGU [Controladoria-Geral da União] quais foram os pontos falhos dessas contratações e dessas licitações, e a partir desses dados vamos sugerir melhorias e um maior enfoque nessa matéria”, diz o advogado Juliano Breda, que faz parte do grupo.
Os integrantes da transição também planejam colocar lupa sobre o relacionamento da Petrobras com fornecedores. O objetivo é evitar erros cometidos no passado.
Em um relatório entregue à equipe de transição, o Tribunal de Contas da União (TCU) apontou “fragilidades de procedimentos de integridade nos relacionamentos com contrapartes (fornecedores, financiadores etc.), expondo a companhia e seus funcionários a riscos de integridade e inobservância de normas de licitações e contratos”.
Sigilos de cem anos
Nos próximos dias, integrantes da equipe de transição irão se reunir com representantes da CGU, da Advocacia-Geral da União (AGU) e do Ministério Público Federal.
Nesses encontros, será debatida a possibilidade de derrubar a classificação de sigilo de cem anos sobre determinadas informações adotada por diferentes áreas do governo de Jair Bolsonaro sob a alegação de respeito à Lei Geral de Proteção de Dados.
A medida é uma promessa de campanha de Lula, que terá o desafio de encontrar um fundamento jurídico para tornar pública uma série de dados que hoje está reservada.
Com informações do O Globo

