O Ministério Público Federal denunciou Amarildo da Costa Oliveira, Oseney da Costa de Oliveira e Jefferson da Silva Lima por duplo homicídio qualificado e ocultação de cadáver pelos assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips.
Segundo o MPF, Amarildo e Jefferson confessaram o crime, enquanto Oseney teve a participação comprovada por depoimentos de testemunhas. A denúncia traz ainda prints de conversas que demonstram a cronologia do crime. Além disso, foram apresentados laudos periciais, com a análise dos corpos e dos objetos encontrados pelos investigadores.
De acordo com fontes ouvidas pela reportagem, o MPF pede que eles sejam processados e levados a juri popular. O quarto suspeito preso durante as investigações, Rubens Villar, também conhecido como “Colômbia”, ainda não teve sua partipação comprovada no crime. Ele está preso pelo uso de documentos falsos e associação criminosa em um esquema de pesca ilegal na região.
Ainda de acordo com o documento enviado à Justiça, o MPF afirma que já havia registro de desentendimentos entre Bruno e Amarildo por pesca ilegal em território indígena. O que teria motivado os assassinatos seria o fato de Bruno ter pedido para Dom fotografar o barco dos acusados, o que é classificado pelo MPF como motivo fútil e pode agravar a pena.
Bruno foi morto com três tiros, sendo um deles pelas costas, sem qualquer possibilidade de defesa, o que também qualifica o crime. Já Dom foi assassinado apenas por estar com Bruno, de modo a assegurar a impunidade pelo crime anterior.
O MPF designou cinco procuradores para reforçar a atuação no caso tendo em vista a relevância e repercussão internacional, além da necessidade de respostas rápidas para uma região que registra conflitos crescentes.
De acordo com o coordenador e subprocurador-geral da República Carlos Frederico Santos, o MPF segue acompanhando o processo e seus desdobramentos, além de outros episódios de violência registrados na região. O local de tríplice fronteira (Brasil, Peru e Colômbia) tem sofrido com o aumento do crime organizado.

