“Se esses vazamentos não estão sendo computados, significa que os inventários de emissões estão furados e a participação relativa da pecuária é muito menor do que a estimada atualmente. No passado a carne bovina era a vilã da saúde e responsável pelas doenças cardíacas. O governo americano fez campanhas para substituí-las e o qual foi a consequência? Aumento do consumo de carboidratos (pois para se obter a mesma quantidade de calorias que a carne oferece, é preciso um consumo muito maior de pizzas e outras coisas do gênero), levando a um aumento da obesidade e de várias doenças, inclusive cardíacas. Até que essas falácias caíram por terra. Agora a bola da vez é a emissão de metano. Quero ver se a ciência já começou a estudar os efeitos dos plant based e do veganismo na saúde humana a longo prazo. Ao final os mitos são desmentidos e a pecuária segue como atividade econômica e de produção de alimentos nobres por milênios. “
A ONU tem a pretensão de criar um ‘admirável mundo novo’ incutindo o pânico nos habitantes do nosso planetinha. O imenso problema é que ‘os cientistas climáticos oficiais da caixinha da organização’ não leram a obra “Admirável mundo novo”, de autoria de um dos gigantes da literatura ‘Aldous Huxley’. Leiamos o que diz o autor sobre a sua própria obra no prefácio que transcrevo um pequeno trecho:
“No entanto, parece-me ser útil citar pelo menos o mais sério defeito do romance, que é o seguinte: apenas é oferecida ao Selvagem uma única alternativa: uma vida demente na Utopia, OU a vida de um primitivo na aldeia dos índios, vida mais humana, sob certos pontos de vista, mas, noutros, apenas menos bizarra e anormal. Na época em que o livro foi escrito, a ideia segundo a qual o livre-arbítrio foi concedido aos seres humanos para que pudessem escolher entre a demência, por um lado, e a loucura, por outro, era uma noção que eu achava divertida e considerava como podendo perfeitamente ser verdadeira. Todavia, por amor ao efeito dramático, é permitido frequentemente ao Selvagem falar de uma maneira mais racional que a que seria justificada pela sua educação entre os praticantes de uma religião que é metade culto da fecundidade e metade a ferocidade do Penitente. No fim, bem entendido, ele recuará perante a razão: o seu Penitente-ismo natal reafirma a sua autoridade, e ele acaba na tortura demente que a si próprio inflige e no suicídio sem esperança. «E foi assim que eles continuaram morrendo miseravelmente», o que muito tranquilizou o esteta divertido e pirrónico que era o autor da fábula. Não tenho hoje nenhum desejo de demonstrar que é impossível ser-se são de espírito. Pelo contrário. Se bem que verifique, não menos tristemente que outrora, que a saúde do espírito é um fenómeno muito raro, estou convencido de que pode ser conseguida e gostaria de a ver mais espalhada. Por tê-lo dito em vários livros recentes e, principalmente, por ter elaborado uma antologia daquilo que os sãos de espírito dizem sobre a saúde do mesmo e sobre todos os meios pelos quais ela pode ser atingida, fui acusado por um eminente crítico académico de ser um deplorável sintoma da falência dos intelectuais em tempo de crise. Este julgamento subentende, suponho, que o professor e os seus colegas são alegres sintomas de sucesso. Os benfeitores da humanidade merecem congruentemente a honra e a comemoração. Edifiquemos um panteão para os professores”.
Naturalmente os pretensos defensores da humanidade hoje são outros, em alguns países até chego a perceber o intenso desejo de redenção pelos crimes cometidos, no passado, contra os seres humanos e contra o planeta. A todo momento surgem novas propostas ou ressuscitam antigas para reestruturar os hábitos humanos, leiamos o artigo publicado pelo Correio*, 19/02/2022, de autoria de Eduardo Athayde, com o título ‘Semana de quatro dias de trabalho’, que transcrevo trechos:
“A ideia não é nova, mas tem sido mais considerada desde que a pandemia do Covid-19 gerou uma ampla reavaliação de como trabalhamos, incluindo uma migração para home office e implementação de escritório híbrido. Se os mesmos resultados podem ser alcançados em menos dias, por que manter uma semana de trabalho de cinco dias? A partir de primeiro de janeiro de 2022, os Emirados Árabes Unidos (EAU) adotaram uma semana de trabalho de 4 dias e meio, incluindo escolas, com o fim de semana começando na tarde de sexta-feira. Isso alinhará melhor a economia dos EAU com os mercados globais. As empresas privadas têm liberdade para escolher sua própria semana de trabalho. ‘Cada empresa, dependendo do setor em que opera e do que melhor se adequa ao seu negócio, pode escolher o fim de semana que decidir para seus funcionários’, disse o ministro de Recursos Humanos, Abdulrahman al-Awar, afirmando que o fim de semana mais longo melhoraria o equilíbrio entre vida profissional e pessoal dos funcionários. A China também implementou uma política oficial para a semana de trabalho de 4,5 dias como parte de um esforço. A proposta do Conselho de Estado da China, faz parte de um plano nacional para aumentar o consumo, entendendo que, dando às pessoas mais tempo livre, aumentam as receitas do turismo doméstico e gastos com entretenimento, impulsionando a economia. A primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, sugeriu que as empresas poderiam mudar para uma semana de trabalho de quatro dias para impulsionar o turismo doméstico, enfatizando que as empresas ‘em condições de fazê-lo’, poderiam adotar a prática como forma de impulsionar a indústria do turismo doméstico do país. Na economia digital de um mundo globalizado, onde empresas contratam trabalhadores remotos, em outros países, há prós e contras em cada escolha. Por exemplo, manter todos no mesmo horário aumenta as oportunidades de trabalho colaborativo, mas deixa uma empresa sem funcionários nos dias em que a maioria dos outros está trabalhando. Um terceiro dia de folga flexível pode ser melhor para funcionários individuais, mas mais difícil para equipes.”
Como todos podem verificar o grande argumento não são os benefícios para os que trabalham e sim para aumentar o consumo doméstico, os gastos com lazer e impulsionar o turismo doméstico, ou seja, a transformação dos seres humanos em meros consumidores. Talvez todos tenham esquecido que ‘o sucesso vem antes do trabalho somente no dicionário’. Então caros leitores ‘Os benfeitores da humanidade merecem congruentemente a honra e a comemoração’. Este é o admirável mundo novo que nos aguarda caso não reajamos urgentemente.