Temos, urgentemente, de parar de subestimar o papel do Brasil no atual cenário da geopolítica. O nosso país é extremamente importante quando blocos econômicos e investidores internacionais disputam a hegemonia na geopolítica. Somos, ainda, a maior liderança da América do Sul. Quem dominar e cooptar o Brasil dominará todo um continente.
Hoje o maior ataque que sofremos é voltado aos corações e mentes do nosso povo, através das mídias nacionais, internacionais e redes sociais. Há um trabalho muito agressivo para difundir o que denominei de epidemia mental com o uso de “fakes information”. Os ataques transcendem as ideologias tradicionais com a disseminação e implementação de crenças políticas que possam submeter os povos do planeta a uma nova forma de colonialismo – o colonialismo mental. O objetivo dos nossos inimigos é fragilizar a nossa “unicidade”. A nação brasileira de norte a sul e de leste a oeste sempre foi “una”.
As armas utilizadas, mais em voga, para atingir o caos propício ao domínio são: questões ecológicas/climáticas e políticas, racismo, ideologia de gêneros, a questão indígena, a redução da produção do Agro, a saúde e tantas outras possíveis e imagináveis. Todos esses movimentos destinam-se a fragilizar as soberanias e governos dos países atacados. Quem conhece história deve lembrar que o primeiro movimento de domínio que sofremos se deu com o início da nossa colonização. O reino de Portugal enviou como primeiros colonos os degredados, massa humana mais fácil de controlar. Tal domínio durou séculos até que, já no Brasil império, um imperador nascido aqui nos declarou independentes. No momento que começarmos a nos atacar mutuamente em razão das nossas diversidades, uma característica que nos tornou fortes e únicos, perderemos tudo o que conquistamos e seremos dominados facilmente. Uma estratégia que jamais falhou – “dividir para conquistar”
Cabe aos leitores imaginarem quantos governos e políticas a minha geração, as que nos antecederam e as que nos sucederam tiveram que enfrentar para construir o Brasil atual e estamos testemunhando a fragilização de tudo que construímos com muito suor e sofrimentos.
O povo brasileiro é muito ingênuo. Dizem que os EUA são o país das liberdades o que discordo frontalmente, porquanto, país das liberdades é o nosso Brasil, onde todos chegam e podem fazer o que bem quiserem, inclusive, espionar e sabotar governos. Nós temos uma facilidade imensa em acreditar nos sofismas (mentiras fantasiadas de verdades) divulgadas por pessoas a serviço de outros países, verdadeiros lobos travestidos de cordeiros, com discursos e textos fáceis. Utilizam as ciências, com suas próprias interpretações, para nos convencerem.
Venho denunciando estas táticas há mais de uma década, independentemente dos governos da época se resistentes ou lenientes e entreguistas. Quando denuncio os ataques à soberania da Amazônia as pessoas não entendem que estou denunciando ataques à soberania de nosso país.
O que tenho percebido é que os ataques variam de intensidade de acordo com o governante que elegemos e a forma de gestão. Quando os governantes são lenientes os ataques diminuem, quando resistem os ataques se agravam. Falo com conhecimento de causa, fruto de ¾ de século como testemunha ocular e de oitiva do que acontece com o nosso Brasil.
Como brasileiro, entendo que ataques ao Brasil ou aos seus governantes eleitos democraticamente, não importa quais, me atingem pessoalmente e a todos os cidadãos que compõem a nossa maravilhosa nação. Não costumo, nos meus artigos a enveredar pela área política, porém, estou assistindo o nosso país e o atual governante serem atacados por adversários de outros países com a única e precípua finalidade de nos fragilizar e dominar.
Na minha opinião não importam as paixões políticas, os seus partidos e se gostam ou não do atual governo. O que importa, realmente, é que a nossa soberania está sendo atacada por outros países e temos que nos unir para defende-la. Após derrotarmos os inimigos comuns voltaremos às nossas disputas partidárias e ideológicas internas, uma das características de qualquer Democracia. Aos iludidos é bom esclarecer que o que menos interessa aos adversários é um governo que resista às suas táticas e estratégias de ataque. Não podemos entregar de “mão beijada” a nossa soberania aos inimigos.
Os adversários agem com lógica maldosa, ao perceberem que o nosso Agro é extremamente competente e nos deu protagonismo no mercado internacional ele se tornou alvo preferencial. Quais as estratégias e táticas utilizadas? Muito simples e lógico, sabotar a produção utilizando argumentos ambientais/climatológicos e até o bioterrorismo como ocorreu, no passado, em relação ao cacau na Bahia, com a praga “vassoura de bruxa”, e no Pará no setor de pimenta do reino, com a praga “fusariose”. Alguém pode afirmar, em sã consciência, que as diversas pragas inexplicáveis que atingiram as nossas lavouras e animais não tenham sido fruto de bioterrorismo? Nenhum setor do Agro está isento de ataque dos bioterroristas. Atenção, o bioterrorismo é uma questão de Segurança Nacional e deve ser tratado como tal pelos órgãos responsáveis.
Outra estratégia muito utilizada é a do convencimento de alguns parlamentares, com argumentos coerentes baseados em sofismas, para a proposição de projetos de Lei que, aparentemente, beneficiam o Agro e, depois de aprovados, se percebe os danos que causam a produção. O ataque ao Agro se estende ao Judiciário conseguindo decisões como o caso do passivo do Funrural e outras questões que ainda estão sendo submetidas ao STF por propostas de partidos ou organizações, sempre subsidiados por ONGs internacionais.
Por favor, quando lerem este artigo não elogiem coragem ou destemor até porque não é o caso, trata-se de um pavor legítimo da covardia e impaciência em relação ao silêncio sobre o assunto. Reflitam sobre o texto. Afinal, nós brasileiros somente reforçamos a fechadura depois da porta arrombada. Desta feita, se a porta for arrombada levaremos décadas para consertar a fechadura, perderemos o “bonde da história” e a unidade territorial.
O que não posso saber ou prever é o que pode acontecer, na atual guerra geopolítica, com alguém que resolve berrar para o mundo ouvir – “o rei está nu”.
Gil Reis
Consultor em Agronegócio