Onde andará meu sono?
Vai longe o abandono
E próxima a rima…
Mas, não até dormir de inspiração
Onde naveguem esses meus olhares,
Pois nem que eu singre todos esses mares
Eu me aproximo do teu coração!
Mesmo por que sabemos que a extensão
entre nós dois e nossos polegares
resume-se em centímetros vulgares
Aos olhos invisíveis da paixão!
Por que se o tenho na palma da mão
ele procura chão de outros lugares
terras remotas, incabíveis lares
onde jamais vagou minha visão!
Lá fora é quase dia
Onde andará meu sono?
Vai longe o abandono
e perto a fantasia…
Que o vento trás na viração canina
Que agride os meus ouvidos de poeta
e a sensibilidade que completa
a sensação da fome repentina!
Que nos transforma em aves de rapina
Urubus vãos da espécie mais completa:
Aglomerados ou em linha reta,
ou como os veja assim minha retina!
Então meu coração não se domina
dentro de mim e volta e se aquieta!
Não que eu o impeça de seguir sua meta
Mas, por que temos uma mesma sina…
…se foi a escuridão…
Onde andará meu sono?
Vai longe o abandono
e junto a inspiração…
Agora, ofuscados com o dia,
Retornam para mim os olhos meus
Cansados de singrar os mares seus
Lá no horizonte onde eu me perdia..