A introspecção psicológica é a tendência mais importante dessa narrativa, e é constituída por narrativas que descrevem a vivência individual de um protagonista, normalmente associada ao amadurecimento literário que faz esta literatura emergir dos sentimentos que emanam dessa juventude cheia de sonhos, imaginações e uma busca incessante de si mesmo.
A abordagem de temas sociais próprios da sociedade moderna como o racismo, a (in)tolerância entre culturas, situações de exploração econômica e repressão política, corresponde à inovação temática, assim como também, nos conflitos psicológicos que são muito frequentes na literatura atual, e muitos dos conflitos abordados como o amor, a repercussão afetiva, o enfrentamento da enfermidade e da morte, entre outros, implicam a descrição do mundo interior dos escritores contemporâneos que relatam como se sentem inerentemente à condição humana tratada sempre por meio de uma perspectiva realista.
De acordo com Muniz Sodré, “o valor artístico de uma obra parece residir na maior ou menor apreensão que o texto realiza da situação do ser humano confrontado com a realidade da história e do Inconsciente”. Assim, podemos refletir sobre as tendências da literatura contemporânea, e isso requer analisar as relações de produção e percepção. O enfoque dado à diversidade de temas aponta para um espessamento do discurso, para a presença da intertextualidade e da metalinguagem nos textos. A narrativa fragmenta-se exigindo maior participação do leitor.
É nesse contexto que surge Gabriel Maia, poeta contemporâneo que certamente representa muito bem a literatura desta época. Nascido em 23 de Abril de 1997 em Belém – Pa, Gabriel Maia, além de ser um leitor ávido e um feroz estudioso da sociedade(o que compete à sua formação em ciências sociais) tem também uma sensibilidade peculiar com uma criação fértil e voraz para captar tudo aquilo que passa diante de seus olhos e adentra sua alma, e isso é o que o distingue de muitos outros escritores comuns, e de forma verossímil, ele é submetido a uma nudez plena em suas palavras, que o revela, assim, como um artista autêntica e liberto das frustrações do mundo, assim como das suas, mas que nos ensina que por meio da arte literária, pode erguer beleza em meio a tudo isso.
Gabriel Maia é um artista que se mostra e se desnuda por meio de seus poemas, não é difícil de dar um passeio com ele dentro de suas palavras. Ele tem um estilo peculiar, conciso, e o modo como se coloca em relação ao que se observa e escreve é sempre surpreendente. Ele é um artista da literatura que assina por si só, não sendo difícil de saber e entender que Gabriel, em suas palavras, nos traz um despertar de consciência por meio do conhecimento consciente delas, essa consciência é o poder oculto que existe no momento presente, no agora, no instante em que temos nas mãos suas palavras e as lemos, acrescentando-nos novas informações e saberes sem tentar convencer-nos de alguma coisa, mas sim produzir um puro desperta como um salto para uma nova realidade.
Gabriel Maia é um exímio desbravador do conhecimento, e por meio de sua ostensiva perspicácia, ele consegue adentrar o lado mais profundo de seu intimo para nos trazer, por meio de seus poemas, uma notável riqueza de informações e ideia que se destaca como o que há de mais original em sua arte, e que faz da sensibilidade de suas letras, algo palpável e transcendente, em uma requintada análise que nos faz perceber o quanto ela domina o todo de sua literatura, obra de uma grande artista, pois há em sua escrita uma necessidade de existir a qual é a característica maior do autêntico e de toda arte realizada.
Hoje acordei igual a Paulo
Escrevendo furiosamente
sobre os dias.
Até procurei revelações como
Daniel, Judas e Malaquias
Mas faltou o mundano, o sujo,
o Marginal.
Algo que eu, na poesia, finque
Meu Deus! Já sei.
Faltou Leminski.
(Gabriel Maia)
É tanto conceito, que me perco
Sem substância, sem alma
Sem sentido.
Viro um ser-humano insatisfeito
Sem arte, nada poética
Um eu sem tu.
Um nós sem sujeito.
(Gabriel Maia)
Gostaria de ser um
filósofo grego.
Professar…
O céu, a mente e o corpo.
Mas sempre volto a 1845
E me sinto como Edgar Allan Põe
Escrevendo o Corvo.
(Gabriel Maia)