Quando se fala em literatura, se fala também em Estilos de Época (também chamadas de Escolas Literárias ou Movimentos Literários) que representam o conjunto de procedimentos estéticos que caracterizam a produção literária de determinado período histórico. Sendo assim, qualquer obra literária apresenta marcas do contexto em que foi produzida, seja na esfera social, política, cultural ou ideológica da época em questão.
Atualmente, vivemos a literatura contemporânea a qual é o período que se seguiu à literatura modernista, e começou após o encerramento do pós-modernismo, por volta da metade do século XX, sendo um reflexo dos acontecimentos do momento: o desenvolvimento industrial e tecnológico acentuado e a crise nos meios político e social. Podemos dizer, que a literatura contemporânea brasileira é um apanhado de diversas escolas literárias anteriores e tem como características: A quebra do limite entre a arte erudita e a popular, intertextualidade, mistura de tendências estéticas (ecletismo), união da arte erudita e da arte popular, prosa histórica, social e urbana, poesia intimista, visual e marginal, temas cotidianos e regionalistas.
Os autores contemporâneos romperam com o tradicional, lançando novas maneiras e estilos de expressar a sua arte. O destaque fica para a poesia, em que os sentimentos oprimidos ganham espaço, como também a liberdade de criação, nascendo assim o CONCRETISMO, POEMA-PROCESSO, POESIA SOCIAL, POESIA MARGINAL. Augusto e Haroldo de Campos e Décio Pignatari, Ferreira Gullar, Mário Chamie, Cassiano Ricardo, Paulo Leminski, Mário Quintana, entre outros, fazem parte da Literatura contemporânea que corresponde também aos dias atuais.
Em um momento tão conturbado e difícil como o que o Brasil atravessa, os escritores e escritoras se fazem ainda mais necessários. Para nossa sorte, uma forte geração de autores vem moldando a nova literatura brasileira e, com isso, refletindo uma série de igualmente novas realidades do próprio país, repleto de problemas sociais e políticos que já assolavam a realidade dos grandes do passado.
Como sabemos, toda seleção é injusta, e para não ser injusto, quero citar um poeta contemporâneo nordestino de grande relevância tanto na literatura nacional quanto nordestina, Roberval Pereyr. Nascido em Umburanas-Ba (Atual Antônio Cardoso) em 1953, Professor Doutor, poeta, compositor, desenhista, teórico e editor. Autor dos livros: As roupas do nu (1981), Ocidentais (1987), Concerto de Ilhas (1997), Amalgama (2000), Acorde (2010) Mirantes (20120) 110 Poemas (2013) entre outros.
Para José Carlos Capinan, Roberval Pereyr é um poeta de uma linguagem peculiar, e o modo como ele se coloca em relação ao que observa e diz é sempre surpreendente. Ele é um poeta que tem assinatura de autor. Alexei Bueno diz que Roberval tem em sua poesia uma densidade, concisão, como também acuidade sonora disfarçando em sua estesia uma pungente dor existencial que jamais eleva o tom e sussurra no silêncio que a precede. Seu eu lírico é submetido a uma espécie de desnudamento cruel em sua poesia, pois tal eu lírico não é ele, mas sim todos nós com o muito que carregamos de inarredável frustração com o mundo.
Antônio Brasileiro define Roberval Pereyr como um dos melhores poetas que temos atualmente no país, um poeta com uma ambição sadia de trazer para a nossa literatura o máximo de si. Poeta com uma vocação e talento incontestáveis e que passeia por sua poesia com o cuidado estético dentro de sua própria estética, com um olhar realista dentro de suas verdades, e acima de tudo, com uma identidade própria e verdadeira tornando assim a sua poesia uma poesia de libertação, a nos dizer que” a solidão é um cavalo domado no silêncio da alma”.
GALOPE
Meus pensamentos são meus camelos
meus pensamentos são meus cavalos
(com uns cavalgo para o silêncio
Com outros marcho para a saudade)
Meus pensamentos são meus cavalos
Meus pensamentos são meus camelos
(sou sertanejo, nasci nos matos,
ando a cavalo para mim mesmo).
Meus sentimentos são meus desejos
Em que me vejo perdido, e calo.
Meus pensamentos são meus camelos
meus pensamentos são meus cavalos.
Roberval Pereyr
NUDEZ
Não quero ser simples.
Uma flor não é simples:
é uma flor. E não cede.
Roberval Pereyr