Que satisfação poder conhecer mais de você através dos poucos manuscritos de seu livro que pude ler. Ah! Como tive orgulho de você…. Bebia avidamente suas palavras, me deliciava diante de seus feitos, de sua capacidade de se resolver e adaptar-se diante das surpresas da vida. Emocionei-me diante da sua ousadia em levantar fatos que são o pano de fundo dos bastidores da Amazônia, que fazem parte da história recente do Brasil.
Será José, a Amazônia um oásis onde, apartado do palco das convenções sociais você pôde ser você mesmo? Não, não creio nisso, pois ao lado do homem-força que é você, medram também os homens-sapos, que se arrastam no brejo de suas tortuosas condutas para criar engodos, tecer e maquinar mesquinhas atitudes, exercendo a tirania dos fracos, com as quais intentam solapar os sonhos e anseios dos que procuram criar o amanhã no hoje e utilizar seus potenciais de força, criatividade e coragem a serviço do progresso e da evolução social. no qual, moldados pelos rigores de uma vida despida das facilidades e comodidades, surgem e se afirmam as qualidades e torpezas que identificam os homens de força dos homens à força.
Os primeiros, entre os quais eu te percebo, fazem do medo um desafio que se descobrem capazes de vencê-lo, ultrapassando seus próprios limites, descobrindo novos horizontes. São os desbravadores de si mesmos, exploradores de suas próprias potencialidades, motivadores do progresso próprio e do corpo social.
Mas, ah José! A simples presença do homem forte, desperta nos homens-sapos, a inveja e o ciúme. O medo para eles é a serpente que asfixia sua coragem, tornando-os valentes apenas à custa de vilezas e traições.
Criaturas torturadas fazem da inveja uma forma de viver e do ciúme uma arma que apontam para todos que julguem maiores do que eles.
Mendigos de confiança vicejam em todas as camadas sociais (vejo-os no episódio do Polaco): do indigente ao milionário, do Zé-ninguém à autoridade constituída, do ignorante ao instruído. Como você pôde comprovar, eles são muitos e tornam-se velhos sem ficarem sábios, ocupam palanques e posições sem adquirirem ética e cidadania, chegam até a riqueza, mas continuam pobres, miseráveis e sovinas. Trazem todos inevitavelmente a mesma marca: os olhos, essas janelas da alma, são sempre inquietos, passeiam a procura do próximo alvo, elegendo inimigos quando se depara com os que como você, creem em si, creem em uma Força Suprema, em um ideal, homens de sonhos e ações. A inesgotável energia de sua autoconfiança é um punhal que revolve nas entranhas destes, os velhos e nunca vencidos fantasmas: o medo – a revolta – o despeito – a cobiça – enfim os quatro cavaleiros do apocalipse.
Indisciplinados, desconfiados, sempre à espera de um contra-ataque às suas maquinações, agrupam-se em conchavos escusos em que o suborno e o abuso de autoridade são quase sempre presença inevitável.
Tolos…. Pobres tolos…. Apenas adiam com suas pífias pretensões a grande realidade: a força em homens como você, se estimula pelo desafio de contornar, escalar e sobrepujar obstáculos. Acabam apenas realçando o que mais abominam: a tenacidade e a certeza que você possui de que para vencer é necessário superar e não se amesquinhar. Por isso você pôde escrever “aquietei-me e fui para casa dormir”.
Cuidado José! Cuidado! Ouve meu irmão, ouve meu coração que fala ao seu. Não os subestimes. Tais criaturas, embora pequenas, podem ser fatais se você lhes der atenção e importância. Se você lhes entregar a mente e o coração, eles o contaminarão com suas enfermidades emocionais, tornando-o amargurado e desiludido. Não se espante não meu irmão, isso acontece até nas melhores famílias, onde também nascem os fracos que se escondem sob o brilho da capacidade dos fortes. Procuram profissionais da mente, não para crescer, mas para conviver melhor com sua própria mediocridade.
Acredite, exercendo a tirania que lhes é característica, eles podem tornar-nos deprimidos, descrentes de nós mesmos e dos outros, desanimados ante os novos desafios que o Pai nos oferece através da aventura que é viver.
Não pare não José! Pense, medite e lembre-se de sua saudosa irmã Alita (aquela que carinhosamente apelidamos de “irmã do chefe”), que morreu feliz por ter podido, ainda que por pouco tempo, ser uma das “amazonas”. Em seus momentos de tristeza busque alimentar sua força no amor daqueles que acreditaram tanto em você.
Defenda-se José… Alma forte, alma guerreira. Resguarde-se da insidiosa virulência deles. Tenha como meta unir-se aos maiores e melhores que nós, num gesto de solidariedade, para que a mãe natureza, representada pela pujante Amazônia te doe a mais preciosa lição: renovar-se para prosseguir sempre rumo ao progresso, que é lei natural da evolução.
Meu coração abraça o seu.
Sua irmã Lulena