A grande novidade é que nunca, em nenhum momento de sua história, nosso país esteve tão bem estabilizado economicamente, próspero e com formidável pulsar desenvolvimentista. Seria de se esperar que, dentro da lógica, isso nos proporcionasse uma tranquila preferência pelas realizações e qualidades apresentadas. Mas, não! Um paradoxo! Uma santa incoerência para ninguém botar defeito. Se do lado citado “o economês, ” está tudo bom, do outro, aquele da moral e cívica, uma arruaça generalizada. Pouco tempo atrás, convivemos com inúmeras denúncias, acusações, delações, apurações de falcatruas, roubos e sacanagens outras para com as coisas públicas. E não estava escapando ninguém, passou-se o rodo, o que não levou a nada e nem sei por que tanto gasto, tempo e dinheiro, se ao final tudo foi perdoado e relevado. Motivos técnicos jurídicos, alegam.
O ambiente para esse tão esperado pleito, com novos ingredientes, misturando passado/presente tem começado pesado. Todo mundo já xinga todo mundo, acusa, escracha, com a maior tranquilidade e naturalidade. A impressão que se tem é de que se extinguiram os partidos políticos, e as organizações de agora mais se aproximam a quadrilhas que deduram uma a outra. Ninguém se preocupa em apresentar tendências e projetos. O negócio é cravar os dentes na carne seca do poder, e brigar para ficar o maior tempo possível por cima.
No calor da concorrência, substituem a retórica da boa proposta por indecorosos impropérios entre rivais. Amiúdam-se publicações de currículos com passados nebulosos. Não parece nada que vamos é escolher quem vai mandar tanto, e em tanta coisa importante. Inclusive na gente…
Mudaram todas as leis que puderam nas regras da disputa, diminuindo até o tempo de exposição de tais homens perante a sociedade. Agora é só “retratão”, maquiado e sem rugas. Querem a coisa rápida, para que não possamos descobrir como verdadeiramente eles sejam, e que o estupro seja indolor. Não tem mais públicos debates, não tem mais aqueles comícios muito próximos a multidões e eleitores, não tem mais apresentação de humildes ou ambiciosos projetos, e muito menos tendências discursivas à esquerda ou à direita. Isso aí, principalmente, acabou-se… E junto se foi a vergonha.
A campanha agora é apenas mostrar quem não presta mais que outro nos deixando atônitos, como se a única escolha possível for a do menos pior.
Desde a collorida fase, tivemos vampirescos sanguessugas, assanhados mensaleiros, vivíssimos doleiros, operários que não o eram chegados, estoquistas de vento e até dinheiro fazendo sexo dentro das cuecas nacionais, junto a expertos doleiros. Em nosso senado tornou se plena normalidade se tratarem de vagabundos, não mais Ss.Excia; pelo menos quanto a isso chegaram a um consenso.
No social, desordem campeia. Logo ali, nos civilizados estados de São Paulo e Rio de Janeiro, a coisa está preta, com tiro comendo para tudo quanto é canto. Os bandidos dizem não ao estado organizado. Políticos e ex-governadores preenchem nosso sistema prisional numa boa, fora das celas dos tarados, logico, se lá, já viram, né…
Sei que o interesse de nossa sociedade sempre foi maior pela escalação da seleção brasileira de futebol, que tem técnico para isso, do que pelo selecionado destacado para as artes políticas. Entretanto, causa estranheza como nossa gente tão espetacular, tão família, tão amorosa e mansa, consegue escolher e extrair de seu meio, para tais representações, elementos tão ruins. Todas as vezes, a coisa fica a desejar. Ou a sociedade quer retirar estes “escolhidos”, criando uma categoria diferenciada de politicamente extraídos do convívio, acreditando que eles só servem para aquilo, ou ela não dá muita importância mesmo para este tipo de responsabilidade, deixando que a omissão dos bons prejudique mais ainda. Gravame maior é que no pais, cadeias de comunicação servem a vantagens advindas das crenças ou se transformam em partidos políticos até de oposição. Que rôlo!!!
O interesse nacional desce então aos quintos dos infernos e nós com ele aqui pela Amazônia, perseguidos até por sonhos. Será política? Sinto-me agredido no orgulho, na inteligência…. e na cidadania, pode?
Vamos ter que afagar fundo a cultura e a educação de nosso povo. Está ficando perigoso tudo virar uma fuzarca, restando apenas a lei do que tiver mais dinheiro e poder, ou então a do mais forte, ou maior mentiroso. Bem sei que o erro é da estrutura e do sistema permissivo, mas também somos nós que o aceitamos e o deixamos existir, com passividade.
Vamos rezar, gente! Vamos rezar. Vai que Deus nos ajude e o diabo carregue a banda ruim da coisa…e com ela o teatro de horror político.