São famílias tradicionais que levam para frente uma tradição popular que transcende o tempo. São Grupos e comunidades: Associação Cultural Marabaixo do Laguinho, a Associação Cultural Berço do Marabaixo, a Associação Folclórica Marabaixo do Pavão, a Associação Raízes da Favela e a Associação Folclórica da Campina Grande, na área rural do Município de Macapá.
A Liturgia do Ciclo do Marabaixo envolve Celebração da Eucaristia (Missa), a Reza da Ladainha em latim, retirada do Mastro, confraternizações entre os Grupos e Comunidades com os fartos cafés, almoços, muita gengibirra e o famoso caldo. O Ciclo do Marabaixo são celebrações, louvações e a memória dos ancestrais. O Ciclo se encerra com a derrubada do Mastro.
O Ciclo do Marabaixo não é sincretismo, pelo contrário, os negros e as comunidades lutaram contra a ingerência da Igreja Católica sobre os festejos populares. O Ciclo reverencia o dogma da Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. Podemos afirmar que o Ciclo do Marabaixo é uma resistência, uma mística popular, com marcantes aspectos da forma como o povo vê o “divino”. Hoje com o avanço das Redes Sociais e a Pandemia, a Comunidade negra inseriu as celebrações ao mundo virtual, porém sem ignorar o contato da rodas, das giras e das “comilanças.”
É interessante observar que toda a ritualística do Ciclo do Marabaixo, com a exceção da Missa, todos os rituais são assumidos por mulheres. No Ciclo o centro da devoção é Deus, nos seus três aspectos: Pai, Filho e Espírito. A Santíssima Trindade. O povo se apodera da celebração católica e faz uma emersão na essência ancestral africana e atualiza com um rosto feminino, caboclo e popular.
A festa popular do Ciclo do Marabaixo é a desconstrução das formalidades tradicionais. É uma liturgia onde não há centralidade humana. Todos exaltam a Santíssima Trindade e as suas várias manifestações criadoras, como a água em forma da bebida, a floresta, simbolizada no mastro, o ritmo, o som, o ar e a terra. É uma obra que exalta a força do feminino, mesmo que na concepção católica, o divino seja masculino. São as mulheres que conduzem as celebrações e os rituais. Que Deus possibilite o povo do Amapá a vivenciar tempos novos. E possamos construir ciclos que gerem vida e vida para todos. Todo ciclo é renovação.