Os estudos avançam. Não na medida em que a sociedade espera os esclarecimentos. As vítimas sofrem o abandono, o preconceito e as incertezas do futuro. Convivemos com as brincadeiras, chacotas e os traumas de tão cedo convivermos com os lapsos de memórias e do raciocínio.
Temos vergonha de não nos lembrarmos de coisas tão básicas, e o medo das incertezas de não saber se as sequelas desaparecerão ou vão se agravar com o passar dos anos.
Não quero entrar nos meandros das pesquisas científicas. O que me chama a atenção é a ausência do poder público no enfrentamento da situação. Os sintomas serão passageiros ou permanentes?
A invisibilidade do problema causa ansiedade e medo. Pessoas jovens e adultos do dia para a noite se depararam com um problema que atinge pessoas na terceira idade. Como será o nosso futuro?
A sensação de querer lembrar nomes, fatos e datas me angustiam. É como se minha mente tivesse envelhecido trinta, quarenta anos. O que causa mais angústia é observar como as pessoas encaram o nosso drama. A todo tempo parece que as pessoas não acreditam que é sincero o que estamos vivendo. A sensação de fragilidade é tão grande que vem a pergunta: “o que está acontecendo comigo?” É um pesadelo que parece que não vai ter fim.
A quem procurar? Que órgãos devemos ter acesso para buscar esclarecimentos? O que fazer?
Afinal, como o vírus invade o sistema neurológico, como esse ataque está ligado aos sintomas, quais são os possíveis tratamentos e quantas pessoas são afetadas de forma temporária ou permanente?
Aqui não é um artigo cientifico. O que queremos é chamar a atenção para a invisibilidade das vítimas e drama por nós enfrentado. O SUS e as instâncias do Ministério da Saúde devem criar programas que amparem e acompanhem no país inteiro os que precisam de orientação e tratamento gratuito.
Quando se diz que somos sobreviventes, muitos entendem que ficamos curados da covid-19 e que saímos ilesos. Infelizmente muitos entendem a disfunção cognitiva como um quadro natural. A perda da memória é vista como algo normal e infelizmente não é. Todos nós, que tivemos covid 19 e sobrevivemos, precisamos de apoio, auxílio e respeito.