De vez em vez, acontece um deslize. Que beleza! O da vez: currículo de ministro de Corte Suprema. Ora, ora… Excelentíssimos sem magistratura? A indicação do Presidente e a sabatina do Senado bastam? Obvio! Ocorre que por muito menos, exige-se muito mais. Talvez, do crivo brando decorram os tantos percalços ao povo brasileiro. Basta voltar os olhos aos derradeiros movimentos da República, via suas autoridades máximas: pendem tanto à esquerda, que vão tombar.
Pela Corte Suprema, emitiu-se o entendimento de que, se não aprovam a aquisição e o porte legal de armas, elas devem ser proibidas. Conduziu-se, com sua anuência, os ideais de homofobia e de união homoafetiva, de direitos de futuras gerações que se sobrepõem aos da atual, de fragilização dos direitos negativos, de esquecimento, quase menoscabo, dos direitos sociais. Coisas que nem os próprios Ministros- autores de livros de Direito Constitucional- são capazes de clarear.
Bastava meramente não adquirir armas, quem delas não gosta e, ainda, levar seus prazeres sob fórmula familiar distinta do matrimonio -cujo fim é a procriação, quem desses meios toma afinidade. Ademais, cabia, à nobre Corte, fortalecer os direitos à vida, à liberdade, à propriedade, à saúde, à educação, à exploração do meio ambiente, de forma equilibrada, nesta e, primordialmente, para esta geração, dentre outros. O caminho escolhido, no entanto, foi de desumanizar quem daqueles valores constitucionais comunga.
A Carta Maior, para zerar placar, trouxe quatro objetivos nacionais permanentes: integridade do território e integridade do patrimônio, democracia e paz social. A defesa da pátria está nos movimentos das duas primeiras e as outras duas missões garantem a manutenção dos poderes constitucionais, Lei e ordem. Sem manutenção dos limites legais e da separação dos poderes, não cabe espremer interpretação naquele sentido.
E por esse rumo, na ocorrência de uma anomia, anarquia generalizada, não há que se falar mais em respeito pelas autoridades constituídas. Brincar de Chefe Supremo e dono das leis com práticas de tortura, por meio de cargo público, para infringir sofrimento físico e psíquico a cidadãos, que não cometeram condutas tipificadas, pode e deve ser saneado pela própria Lei Máxima, que conduz às saídas, dentro das quatro linhas.
Enquanto se cuidava de “Che Guevaras” de apartamento- revolucionários que não sobrevivem sem uma máquina de lavar roupas, que tremem ao breu da ausência de energia elétrica, desafiando sua própria empatia com “pet” preferido- o discurso de indignado, moralmente justificado, terminava na tuitada, municiada a pantufas e guloseimas. São eles ornamentos de redes sociais e, até, vão às ruas, enquanto, em outros momentos, servem-se dos deleites do sistema capitalista sem coração. Gritam, sempre que convêm, nomes de revolucionários e, finalizam, com a palavra democracia. Não pedem, esses manifestantes exigem.
De jovens a não tão jovens assim, alguns com representatividade política ou ocupando cargos públicos, e esses são os mais autoritários, ordenam e convocam: “vamos fazer uma guerra civil”, “vai morrer muita gente”, “vamos fuzilar”, “eles vão apanhar nas ruas”, “é preciso derramar sangue”, “vamos incendiar o país”. Defendem a democracia, mas gostam da democracia do Maduro, do Chávez. Defendem as minorias, porém cultuam, no coração, figuras que fuzilavam homossexuais no paredão, pervertendo a primazia da verdadeira democracia. Outros, não todos – assim se espera- aceitam esquema de corrupção, por desacreditarem das provas e julgamentos realizados pela Justiça brasileira.
O projeto político “não destro” aparenta muito fechado, vivo, contumaz: regular mídia, desarmar a população, desencarcerar criminosos, descriminalizar as drogas, descriminalizar o aborto, editar a Constituição Federal a seu modo, anular condenações e proibir operações policiais, implantar a agenda globalista moderninha e calar os desobedientes. Imparcialidade, inércia, isonomia e independência ficaram num passado bem distante.
Aos deslizes do tal poder judiciário, hoje, descabe qualquer indagação ou oposição. A defesa da Constituição Federal, zelando para que o Legislativo permanecesse sob manto infraconstitucional, também é missão pretérita.
Nesse ínterim, a doutrina e a jurisprudência, inclusive, corroboraram para a instrumentalização dos “sopesamentos” com roupagem de lei, cuja última palavra, em matéria de interpretação dos princípios e regras, nela estabelecidos, ficassem por conta e risco do time de onze togados que, agora, cuidam do presente, do futuro e ditam o passado, conforme lhes assentam.
A ninguém compete o crivo. A República tombou à esquerda.
A República tombou
