O fato foi noticiado nas últimas horas!
Peixes, tartarugas, sapos e salamandras são vendidos vivos, dentro de embalagens plásticas portáteis. Tal situação lhes dá sobrevida com prazo de validade!
São impactantes as imagens veiculadas nas notícias. Os animais ficam ali, confinados e mergulhados em pouco líquido e, mesmo que os adquirentes os liberte daquela “coisa”, somente os mais qualificados compradores poderiam bem tratar da vida marinha ali representada, em aquários ou equipamentos afins.
Indignamo-nos com o trato inadequado aos animais, mesmo antes de nos perguntar se foram espécimes coletados no mar ou se são filhotes produzidos em cativeiro e se tal prática por comerciantes chineses é normatizada e regulada no seu país.
Outro detalhe que chama a atenção é que o comércio parece ser voltado para as crianças, ao menos pelas imagens que estampam as notícias, que já abundam nos sites de jornais e nos causaram tanto impacto que até mudamos o rumo do artigo que estava sendo elaborado.
Saímos da COP 26 com a sensação de que mais poderia ter sido feito, enquanto se levantava bandeiras por combate ao desmatamento. Assumimos reduzir a produção do gás metano em 30% (como se a produção de carne pudesse receber uma “cota”, enquanto a fome no mundo aumenta mais e mais a cada dia). Há dias escrevemos sobre o tema, notadamente sob a ótica da incoerência em se fazer grande pressão sobre um ou outro ponto, deles fazendo grande divulgação, enquanto aquelas potências simplesmente ignoram o contexto e o seu desenrolar catastrófico e seguem, dissimulada e silenciosamente, com matrizes energéticas altamente poluentes, inclusive aumentando em significativos percentuais a queima do poluente carvão para produzir eletricidade, do mesmo modo que seguem com as usinas nucleares – enquanto na Dinamarca se faz um cemitério para os desejos nucleares, planejado para durar 100.000 (cem mil) anos!
Cada árvore em pé merece proteção e respeito. Cada árvore arrancada faz e fará grande diferença. Aliás, o ciclo natural não se satisfaz com a derrubada da mata nativa para se plantar outas culturas. Nesse ponto, é fundamental o replantio de árvores nativas e a conservação dos ambientes naturais, com o combate ao desmatamento ilegal.
Cada bioma merece atenção e respeito. Ninguém pensaria em se levar pinguins para o Pólo Norte, até pelo fato de que lá serão presas fáceis para o urso polar, que não existe no Pólo Sul. Não obstante, se criou santuário para elefantes no Mato Grosso, embora seja espécie estrangeira e, por seu tamanho, presumidamente causadora de grande impacto ambiental, na microbiologia do solo, nos cursos d`água e na concorrência com a alimentação dos animais nativos.
Essas coisas podem nada significar se olhadas isoladamente, como numa fotografia. Contudo, numa visão sistemática, onde tudo está interligado, a soma dos pequenos acasos e desastres ocasiona efeito em progressão geométrica.
A Eco 92, ocorrida no Brasil, foi marcante e inaugurou os grandes eventos mundiais sobre o Meio Ambiente, tendo sido seguida pela 1ª COP e, agora, pela COP 26. No ano que vem teremos a 27ª edição e, do jeito que as coisas seguem, sem efetividade plena, muitas outras se seguirão. O “ponto de não retorno” no desequilíbrio ambiental se aproxima e o abismo já está logo ali.
É crível que o pagamento das cotas de carbono também soam como uma autorização para que as nações mais poluidoras continuem a sua ilimitada corrida industrial e por liderança na economia mundial, mediante o pagamento para que outras nações preservem. Pagariam para compensar a sua continuada industrialização e poluição! Há algo no ar, já que continuam poluindo e destruindo o planeta e contribuindo para o aquecimento global!
É algo que soa como aquela questão da proibição das sacolas plásticas nos mercados. Em regra, não mais são entregues gratuitamente, mas somente mediante pagamento. É algo como “se pagar, pode levar a sacola plástica” ou, em outras palavras, “se pagar pela sacola, pode poluir”. Algo está desafinado nessa música.
Vamos ter de reduzir em 30% a emissão de Metano. Isso vai afetar a nossa produção de carnes e a economia. Sempre a economia… Isso vai onerar os produtores? Qual será o preço do bife, repassado ao consumidor? Essa conta tem que fechar.
O contexto é complexo e difícil na equação entre as metas ambientais e a realidade econômica, como exemplifica a resistência do setor automobilístico, no qual já há montadoras de carros que pretendem prorrogar o prazo para o uso de tecnologias menos poluentes, que deveria ocorrer já em 2022…
Enfim, com tantas coisas em jogo, qual é a nossa sensação quando, já na semana seguinte ao fim da COP 26, lemos que animais marinhos vivos são comercializados por cerca de US$ 1,50 dentro de “chaveiros” plásticos, em estações de metrô e outros locais, em grandes cidades chinesas.
Segundo os comerciantes, o líquido possuiria nutrientes e oxigênio, além dos aditivos corantes fluorescentes, que deixam o “produto” mais “atraente”! O prazo de validade “disso” representa o tempo de vida do animal ali aprisionado.
Imaginemos alguém caminhando e levando consigo um desses “chaveiros” que, balançando, causaria verdadeira tortura ao animalzinho. Ademais, andar por metrôs, ruas, escolas, restaurantes etc significa também expor o animal ao stress de rápidas mudanças de temperatura, luz e som. Um verdadeiro inferno, nem sequer imaginado por Dante Alighieri ao descrever os submundos que contrastam com os Campos Elísios do Paraíso, na Mitologia Grega. Se não falecer antes por outro motivo, como queda ou impactos, tal dramática e absurda situação do animal só terminará com o fim do oxigênio ali contido. Portanto, o animal será torturado, submetido a inefável stress, até que morra sufocado.
(pausa para respirar)
E aí? Após a COP 26 e os bons debates e alguns desapontamentos, até onde vai a nossa humanidade e indignação, com esse contexto?
Desconheço se a prática tem algo de cultural ou afim. Todavia, o comércio em si não soa edificante, qualificador de propósitos altruístas ou conscientizadores da importância fundamental da boa integração do ser humano com o meio ambiente.
Também não nos parece que sejam animais de estimação, pois estes não recebem o tratamento dos animais do “chaveiro”.
Essa coisificação dos animais revela traços de pouca empatia e de crueldade no trato dos seres vivos, uma fotografia contemporânea que se junta ao filme de longa metragem da história humana, que mostra os estragos causados pela caça ao Bisão-Americano (na América do Norte), pesca das baleias e focas e extinção de tantas espécies.
Esse filme, hipoteticamente considerado, não é daqueles com o desejado final feliz. O final ainda está sendo escrito por nós e a nossa capacidade de indignação revela que talvez possamos nos salvar de nós mesmos, antes que o fim absoluto das condições de vida no Planeta nos leve, daqui, como se fôssemos seres vivos ensacados e “sobrevivendo” enquanto o local em que estamos não retira de nós a vida.