De qualquer modo, fosse ou não eticamente correto, haviam objetivos.
Não é a Economia e não são os salvadores da Pátria ou o Sebastianismo que nos levarão ao bom futuro.
Precisamos da verdade, de verdade.
Churchil, diante dos horrores da Alemanha Nazista, disse aos ingleses que só tinha a lhes oferecer “sangue, suor e lágrimas”. O povo se uniu em torno da verdade e deu força ao Governo no enfrentamento do inimigo.
Em certo sentido, precisamos disso. É desejável transparência por parte de todos, em todas as esferas e seguimentos, para que possamos galgar passos maiores, senão seremos o eterno “país do futuro”, provedor dos mais ricos e achando que merecemos mais do que fazemos por nosso país.
Aqui e em tantos outros países, não adianta ter o que comer no almoço e nada para o jantar e para os dias seguintes. Melhor talvez fosse sacrificar uma refeição para ter várias do que sacrificar várias para ter uma. Para isso, contudo, é preciso um pacto em torno da verdade, com credibilidade, autoridade e união em torno de um objetivo claro. Parece que já comprometemos o nosso futuro, dada a falta de credibilidade de tantos nos últimos anos. E quando não houver mais como se vender o jantar para se almoçar?
Onde nos perdemos politicamente? Criticamos a corrupção e nos esquecemos de que esta começa na outorga do mandato político, quando o voto é “vendido” em troco de algumas moedas. Esta corrupção de valores, de propósitos, de compromisso, de postura e compostura, de falta de empatia e verdade, compromete o todo.
Por que nos contentamos na História como provedores da riqueza de outros países e povos em detrimento do nosso país e dos brasileiros? Por qual motivo ainda vemos com deslumbramento estrangeiros que aqui chegam como se fossem eles os conquistadores de outrora, quando nos ofereciam “espelhinhos”?
A Constituição de 1988 comemorará 33 anos em 2021 e, nessa idade simbólica, vai sendo arrastada ao Gólgota para o sacrifício; vai sendo forçada a caminhar na prancha dos navios piratas que daqui se apoderaram; vai sendo isolada dos centros de comando do mundo, começando a ser criticada e atropelada por diretrizes fora dos seus propósitos. Não está desatualizada ou é inapropriada ao nosso tempo e ao nosso país. O mundo é que nos exige sacrifícios incompatíveis com a “Constituição Cidadã” e nos leva a caminhar dissociados das suas diretrizes e em círculos, perdidos, não nos pautando por alta Política de debates ou de rumos e por décadas nos permitindo ser pautados por diretrizes internacionais e transnacionais.
Um exemplo? Em 2004 tivemos a Reforma do Judiciário, que em verdade foi pautada anos antes, pelo Documento Técnico 319/1996, do Banco Mundial.
Do mesmo modo, não são nacionais as metas das reformas da previdência, trabalhista e administrativa. Essa desregulamentação tende a esvaziar o “peso” do Estado, dizem. Mas qual peso? Há imensa massa de brasileiros que dependem do auxílio do Estado e dos serviços públicos gratuitos prestados por servidores públicos, pois de outro modo ficarão desassistidos e à margem de tudo, já que não se lhes forneceu boas escolas e treinamentos para que hoje estivessem bem inseridos no formal mercado de trabalho etc. Falhamos muito! Sem o SUS a cada dia e também nessa Pandemia teríamos mortos e doentes pelas ruas, já que a maioria da população não pode pagar planos de saúde. Sem Defensoria Pública e sem justiça gratuita, se faria justiça com as próprias mãos?
Se ao povo se perguntar em plebiscito se quer serviços melhores de saúde, dirá que sim. Mas se a pergunta for sobre aumento de impostos para isso, dirão que não. Em verdade, não existiria imposto vinculado a um fim, isso seria taxa. Mas as coisas não são muito verdadeiras, não é mesmo? E vamos sendo enrolados…
Aliás, em lugar de se entregar anéis para se salvar os dedos, parece que já vamos logo entregando os dedos ou as mãos ou nos deixando levar – como tantos países em desenvolvimento – pela esteira rolante que nos conduz ao destino traçado por outras nações ou pelo Capital mundializado… Vamos aderindo ao que propõem… Vamos indo… Para onde?
Há anos comprei roupas nos EUA e depois percebi que haviam sido fabricadas em Bangladesh. Curioso, descobri que o seu custo de produção lá seria de 3 dólares e que nos EUA seria de 13 dólares e que este país era um dos maiores exportadores de roupas do mundo, sendo a China o maior, basicamente porque os trabalhadores americanos não se sujeitariam às condições salariais e de trabalho que lá se lhes impunham – e por qual motivo a Política desses países não se incomodou em submeter o seu povo a isso?
As empresas não estão erradas em buscar o lucro e os seus dirigentes fazem o seu trabalho e devem satisfações aos acionistas. Os políticos é que não devem acreditar em todas as propostas daquelas e agir como estadistas.
Noutro foco, na Europa se avançou para a criação de moeda única. Só se viu as vantagens e se esqueceu de que a moeda é um dos traços da Soberania do Estado e instrumento de política econômica. A Inglaterra acaba de sair dessa Comunidade e tem os seus motivos e, como as coisas parecem que não deram muito certo, outros buscam bodes expiatórios, como os imigrantes etc. Quando o foco se desvia, o atalho não leva a nada de bom. A quem interessou o controle central sobre a moeda única européia? Será que a Europa foi um grande laboratório para diretrizes econômicas globalizantes?
De algum modo, há consenso de ideias, entre pessoas coerentes, que sentem, pressentem e pensam de modo correto, apenas com posturas diferentes, participação política distinta e força propulsora diferenciada – só precisam se reconhecer e ressignificar-se em unidade de pensamento.
Por qual motivo a Política com P maiúsculo tem cedido tanto à Economia? Por que lhe concedemos tanto poder? Por que não se lhes pode dizer “não”!?
Vivemos num bumerangue de ideias. Tudo o que vai, volta. Tudo o que sobe, desce… e oscilamos ao sabor dessas forças, meio que nos agarrando à boias de salvação, acreditando nas mentiras e passivamente fomentando esse jogo ao apenas assistir o deturpar das regras e expectativas. Estamos nos deteriorando como sociedade e nos acostumando a isso. Não mais nos importamos com números de mortos, violência nas ruas, desemprego, empresas fechando e mais essa crise. Acostumamos a viver um dia e a ter esperança no futuro.
Pode ser que cheguemos ao final deste Século com a constatação de que a Terra virou um mundo sem dono e sem poder político com pressão suficiente ante os poucos senhores do Capital global que poderão portar-se como gestores de um planeta inteiro, impondo-se-lhe que lhes sirva com energia, trabalho, água, ar e alimentos.
Há forças esvaziando Soberanias hoje, rasgando a segurança dos Estados-Nação e forçando-os a se curvar como súditos da economia mundial. Temos de defender a Política com “P” maiúsculo, pois é ela que nos conduzirá além. Senão, ficaremos pelo meio do caminho, constatando que os meios se tornaram os fins.