Alcoviteiros! Assim eram chamados aqueles que intermediavam secretos encontros entre namorados ou amantes. Eram, portanto, os que “sabiam das coisas”.
Muitos dos alcoviteiros fizeram chantagens ou criaram problemas e confusões, assim como o fizeram aqueles que descobriram tais segredos. Versões dramáticas foram exploradas no cinema e na literatura, como bem exemplifica a obra de Eça de Queiroz intitulada O Primo Basílio, na qual personagem é chantageada após ter sido descoberta a correspondência que trocava com o seu primo e amante.
Se poucos sabiam a verdade sobre tais segredos, a parte que era vazada decorria da hipocrisia e dos inescrupulosos de plantão, que não conseguiam ter empatia e respeito pela vida alheia e se autocompraziam ao levantar falsas suspeitas, difamar ou divulgar fake news, não raro objetivando conseguir vantagens.
Se a verdade pode chocar e se muitos não estão preparados para conhecê-la, a mentira é o ácido mais corrosivo que existe e causadora dos maiores estragos. O mesmo ocorre quando todo mundo tem uma opinião sem justa causa.
Por isso neologismo intitula este artigo, misturando as palavras Alcoviteiro ao Covid. O puro conhecimento científico está naturalmente sob o domínio dos qualificados a tanto, os medicamentos são produzidos por grandes empresas do ramo e nós, simples mortais e consumidores, só sabemos o que conseguimos achar que entendemos dessa complexa e grave situação.
Além disso, há os que lucram com o caos, levantam falsas suspeitas, gastam verba pública sem cautela e nos deixam entre a cruz e a espada ou entre a verdade simples e direta e as Fake News e rocambolescas versões deturpadas que nos deixam num carrossel, dando voltas, sem sair do lugar.
Isso não ocorre apenas aqui, nessa terra ensolarada, onde tudo o que se planta nasce e frutifica, mas no mundo, onde parece que ninguém sabe com absoluta segurança o que fazer para vencer o Covid 19 – em essência apenas mais um vírus, dentre tantos.
Só que este vírus chegou chegando, como se fala por aí. Chegou dizendo a que veio. Bagunçou todo o “normal” do nosso mundo nada “normal”, quando em Pandemia se alastrou, ignorando as fronteiras definidas nos mapas e Tratados e os sistemas de governos dos países, de algum modo igualando a todos os seres humanos, talvez fazendo o que nenhuma ideologia ou religião antes tenha conseguido, pois parece que ninguém está realmente a salvo.
Dias atrás ouvi alguém dizer que esse vírus é diabólico. Se fosse assim, exorcismo seria o único remédio.
Também não é a definição da maldade. Será mal o leão por atacar a zebra? É o seu instinto de sobrevivência que o faz agir assim…
O vírus, pela teoria da evolução, apenas está fazendo o seu papel: tentando sobreviver e se reproduzir. Para isso precisa se acoplar a outro organismo, que tenha vida. Para alcançar o seu objetivo, rapidamente diversifica suas características hereditárias entre gerações e, por mutações, qualifica-se para mais rápido se reproduzir e seguir o seu caminho.
Dinossauros já dominaram o Planeta. Os seres humanos o dominam, hoje. Contudo, diferentemente daqueles enormes Dinossauros, a humanidade conseguiu uma façanha: moldar o Planeta ao seu bel prazer. Fazendo-o, mexeu com forças naturais extremamente potentes e que se mantinham em equilíbrio. O ecossistema se viu oscilando e, nesse desequilíbrio, formas de vida aparentemente endêmicas (comuns a certas regiões apenas) se viram levadas a ter contato com outros fatores, seja por causas naturais ou mecânicas. Assim, ganharam mundo e encontraram outros meios para existir, evoluir e se adaptar.
Isso também aconteceu com outros animais, alguns dos quais vemos e podemos matar com uma “chinelada”. Com o vírus é diferente… está no ar… está ou não em todo lugar. Haja álcool em gel! Independentemente da causa ou da categorização científica, estamos falando de algo inegável. Pequenas e isoladas formas de vida circulam o mundo.
O vírus pode ser tudo, sendo com certeza surdo a tantas besteiras que ouvimos por aí. Não é vírus de Esquerda ou de Direita, não é capitalista, socialista ou comunista, não é ateu ou religioso, não é contra os ricos ou os pobres, não liga para cor, idade, aparência ou conta bancária. Também não se importa se vai contaminar Democrata, Republicano, Monarquista ou Anarquista. Como dizia um personagem de desenho animado, parece também nos falar: “- To nem aí”.
Do outro lado do ringue, o ser humano parece que quer “domá-lo” para fins políticos. Ora se o emprega como arma de ataque contra os gestores de plantão, aqui ou no exterior. Servem como máquinas de guerra para socar os portões de muralhas dos castelos, até derrubá-los. Tem sido usado para atacar os gestores municipais, estaduais ou presidentes, aqui ou no exterior. O Primeiro-Ministro da Inglaterra está sob tanta pressão quanto presidentes, pelas mortes e contágios, pelos altos gastos e medidas resultantes do isolamento, lockdown ou qualquer nome que se empregue para se tentar evitar o descontrolado contágio (meios que se confrontam com a Economia e a necessidade de se produzir e trabalhar etc.).
Alguns clamam por liberdade de ir e vir e não aceitam um comando governamental que temporariamente restrinja o seu exercício. Alguns são a favor de tratamentos preventivos e outros só confiam em vacinas. Tudo está em teste de algum modo: nós, o vírus e suas mutações e os tratamentos conhecidos e por se descobrir.
O tempo está correndo e nós e o vírus estamos disputando palmo a palmo a corrida com obstáculos. Enquanto nos esforçamos para galgar as barreiras ao longo da pista o vírus “passa por baixo”. Quando estamos prestes a romper a linha de chegada o vírus nos desafia a mais uma volta…
A verdade é que o chá verde, a pinga com limão, pegar sol, beber muita água ou tomar o remédio x, y ou z não resolveram o problema. Há dias torcíamos para não pegar o vírus. Agora, piorou. Não tem nem UTI onde ser internados; 15 hospitais particulares de São Paulo pedem vaga aos seus já lotados hospitais públicos; quase todos os estados estão saturados ou perto da saturação e hoje, enquanto se redige este artigo, se noticia que medicamentos para intubar pacientes devem acabar em 20 dias!
O “novo normal” não resolveu, as indústrias e empresas estão tão abaladas quanto o operário e o profissional liberal. A economia não decolou, o vírus não foi controlado e já estamos com um ano de Pandemia, aqui e no mundo.
A Pandemia não é problema nacional e não é o Centrão, a Esquerda ou Direita que vão sair vitoriosos desse caos. Por enquanto, o vírus derrota a todos e, como passageiros do Titanic, estamos nos agarrando aos botes salva-vidas enquanto aguardamos o resgate redentor.