Tão bela, tão ela, dona de castelos de sonhos e aspirações, sente-se em uma passarela desfilando olhares, espalhando miçangas e graças com um certo porte de garça. Mas não se engane, mãe ou não, vestir a roupa de mulher requer coragem para enfrentar furacões e botes de cascavéis iradas com seus guizos guardados nas dobras dos sertões, nas esplanadas dos palácios, nos confins dos cangaços, nos rodeios e pampas ou nas arquiteturas com desenhos ora discretos, ora esnobes no pau-brasil e /ou no concreto – exposições da futilidade em versão polarizada sem nexo ou utilidade.
E se encontrar aquele senhor rotular, lesivo e sem rosto, o tal do Mercado, receberá elogios, galanteios e reverências ora a sua santidade, ora a sua nudez nua e crua. Cuidado! Não caia. A coroa que ele oferece é de lata ou latão, nenhum galardão, trata-se de um belo e feio espertalhão. Sabe o que ele espalha? Mulher deve ganhar menos do que o homem em um mesmo trabalho para garantir que terá salário…
Que sociedade é esta que reconhece, assina e carimba o recibo, de que somente emprega mulheres para pagar ninharia, miséria? Exploração de vulnerável? Ou mão de obra escrava? É assim que se chama? Até quando? E há mulheres letradas, bem situadas, que apoiam tudo isso? Paspalhice ou fanfarronice?
Afinal, ser mulher e ser mãe é algo sublime ou é pecado? Por que somos castigadas pelo simples fato de sermos mulheres e duas vezes mais pelo fato de sermos mães? Refiro-me aos fatores práticos, objetivos e pautados no saldo bancário e afetivo.
Estou aqui a falar e falar; no entanto, dois são os aspectos gritantes, precisou-se de uma lei, votada na semana finda, a qual ainda foi por muitos contestada, para que as mulheres possam vir a ter igualdade salarial com os homens e a outra não menos impactante é a cobrança da sociedade para que a mulher seja antes de tudo e mais nada um objeto modelado por regras físicas asfixiantes que não respeitam seu DNA nem suas condições momentâneas, como um estado de pós-parto , quando as formas requerem um tempo ou muito “grana” para “voltar aos 17”.
Há de se mudar muita coisa para que de forma verdadeira nossa sociedade possa comemorar sem hipocrisias o Dia das Mães. Comemorar não como “Crime e Castigo”, mas como uma expressão livre da alegria do Amor. Afinal, é o que verdadeiramente é…
No entanto, não podemos esquecer de que estamos em um país no qual 45% dos lares são sustentados por mulheres, mas elas merecem ganhar menos, segundo alguns. Elas, além de gestar e parir, de modo geral, há exceções, devem embalar e nutrir, caçar, pescar, plantar a lavoura e colher e sem cansar regar o amor do parceiro sempre pronto para voar para outros braços, outros laços, sem nada para cumprir.
Nem ônus nem bônus, promessa de abandono, ser mulher e mãe gera confusão, insegurança e desilusões onde não há humanidade, apenas coisificação. E tudo que queremos ou precisamos é de um amor verdadeiro do companheiro, que seja ele, não um Deus, mas um humano ser, o qual nos faça sentir amadas e benquistas, bem-vistas, então de mãos dadas fortes e firmes – não importa que às vezes fazendo piruetas, morando em cabanas, palhoças ou palafitas – iremos oferecer segurança e bem-aventurança para o pequenino ser – razão de MÃE ser.