Um poeta, um sonhador, um trovador, uma canção e o dedilhar de um violão…
Como cordas de um acorde, “Always on my mind” realinha as células do corpo, faz sibilar a alma na extensão desse refrão.
Não, hoje não falarei das dores do mundo e de nenhum sonho moribundo, afinal, era sempre em minha mente, sempre em minha mente o florescer das sementes das saudades, misteriosas saudades de uma sonora erupção… Será de outros tempos ou será de outras gentes, ou de uma vida à toa solta na maré corrente contemplando o sol nascente, talvez as nuvens azuladas, no poente, com certeza deveras contente.
Não, não falarei das mãos vazias, ou melhor seria dizer dos estômagos vazios, daqueles que oficiam trabalhos de todos os dias, vivências das cercanias, sem status ou valia para o juiz do Condado ou qualquer outro magistrado amigo dos soberanos de impérios de tiranos. Soberanos feitores, autores das tragédias encenadas em shows “ao vivo e a cores” sob o manto escuro das cortinas que separam a plateia ILUDIDA da epopeia de um povo franzino, lapidado no pranto de meninas usurpadas de sua dignidade feminina e de meninos náufragos em mares sem destino.
Não, hoje não falarei de tais horrores, enormes dores, eles falam por si só nos caminhos de Jericó, de Peabiru/Guajuvira, de São Tomé das Letras… Ou talvez quem sabe, nos caminhos de Lícia, na Turquia, ou, ainda, Overland Track na Austrália, ou no caminho de Santiago, na Espanha, ou, ou… São tantos os caminhos repletos de santidades, histórias não reveladas, mentiras e espinhos.
Oh, não, não quero falar dos dissabores, dos fatos contundentes estacionados em frente à gritaria ou ao silêncio dos olhares vendados, das verdades negadas. Quero falar do que sempre, sempre está em minha mente. O amor. Diga-me, por favor, que aquele doce amor não morreu…
Nota: “Always on my mind”, neste artigo, remete a interpretação de Willie Nelson de canção com esse título, que você pode conferir em: https://www.youtube.com/watch?
Doce amor
