Definir a idolatria da massa “patriótica” ao ex-presidente Bolsonaro escapa à analise comum, afinal, não é cerebrina a hipótese de se cogitar que um político com o seu perfil chegue a ser adorado como o “mito” por seus prosélitos. Sua desumanidade, incapacidade de governar e um estilo ogro, capaz dos mais reprováveis comportamentos seriam sérios entraves para a idolatria. Em qualquer ambiente minimamente civilizado, jamais poderia emergir como liderança, muito menos como o deus ou mito de seus fervorosos defensores. Até no recente episódio da apropriação das joias, “presenteadas” por ricaços árabes cheios de más intenções, um escândalo de proporções avassaladoras, fora defendido pelos homens, como diria Nietzche, sem rumo, que ainda teimam em idolatrá-lo.
A narrativa do livro “Assim falava Zaratustra” é muito densa e tem um conteúdo filosófico que até hoje é objeto de estudo. A história de Bolsonaro como mito de brasileiros sem rumo é bem recente. Não há esperança de que num curto espaço de tempo seus seguidores se recomponham. No dia 8 de janeiro passado celebraram sua customizada “festa do burro”, onde prestaram reverência ao seu mito tentando quebrar os pilares da democracia. Se submeteram aos mais estranhos desígnios da estupidez humana escancarada, aquela que zera a racionalidade e equipara o homem aos animais, numa supressão inominável dos atributos que separam o ser humano dos demais seres vivos.
Se no livro de Nietzsche há um momento em que os homens sem rumo, visitantes da morada de Zaratustra, tentam conviver em harmonia, com o aprendizado do sorriso, da dança e de voltar a sentir suas próprias almas, cujo desafio é vencer a mesquinhez, suas angústias, suas ignorâncias, com uma superação gigante e se transformar em seres superiores, até atingir o desiderato maior que é alcançar o estado de super-homem, aqui no Brasil, o objetivo é bem mais modesto, sem deixar de ser desafiador. Há a esperança de que os adoradores do asno que carregou as joias árabes para a montanha chamada Brasil, alcancem a plenitude de apenas deixarem de ser ridículos e guardem suas bandeiras e camisas amarelas e voltem a ser seres humanos, plenos, mesmo sem rumo.