Ao iniciar a segunda semana do governo Lula, as viúvas do governo derrotado, em pleno domingo (08), com suas bandeiras desfraldadas, resolveram, em meio a atos de barbáries, selvagerias e vandalismo contra a democracia, impor uma culminância à patologia da loucura que se transformou o movimento que apoia o ex-presidente derrotado nas urnas. Foi uma das cenas mais dantescas e bizarras já vistas em toda história da república. Nada foi poupado nas sedes do legislativo, judiciário e executivo da República Federativa do Brasil. O dia, certamente, ficará na triste memória dos simpáticos, espontâneos, alegres e irreverentes brasileiros, como bem definiu Darcy Ribeiro.
Desde o início de seu governo, o ex-presidente derrotado nas urnas, sempre pautou suas práticas de governança com atos que desafiavam a civilidade e a tolerância. Era impossível não ouvir do ex-mandatário frases mal educadas e toscas contra os poderes da república e seus eventuais desafetos. Os simpatizantes da ideologia da extrema-direita sempre pontuavam que esse era o atributo mais positivo de seu líder. Esse comportamento, avesso aos mais comezinhos princípios da convivência pacífica e democrática, gerou nos seus seguidores a esperança de que ele deveria permanecer no poder, mesmo que as urnas não o favorecessem.
Como o ex-presidente derrotado nas urnas teve a desdita de não se reeleger, seus seguidores iniciaram o processo de viabilizar um golpe de estado que antes era apenas uma cogitação banal. Para tanto, foram para frente dos quarteis pedir intervenção militar com o retorno do ex-mandatário ao poder. Antes, porém, tentaram obstruir estradas e inviabilizar o abastecimento no país. Tudo não era levado muito a sério pelas forças de segurança que viam nas condutas simples manifestações legitimadas pela própria constituição. Essa visão, contudo, era refutada por aqueles que sempre viam nessas ações um perigo para a convivência democrática, máxime quando era evidente a participação de militares.
No domingo (08), contudo, a loucura bolsonarista teve a sua culminância com as cenas de barbárie, selvageria e vandalismo nas sedes dos três poderes que assustou a todos os brasileiros. Conquanto o levante tenha sido contido a muito custo, com sérios prejuízos morais, materiais, estéticos, políticos e históricos, o processo ainda não se encerrou. Felizmente as autoridades brasileiras se certificaram que a loucura bolsonarista não é um simples tumor benigno e, sim, um grave câncer que ameaça nossa democracia. No livro “Como as democracias morrem”, Levitsky e Daniel Ziblatt, já tratam desse fenômeno perpetrado por líderes e atores de tendência autoritária que buscam impor rupturas democráticas por vieses não convencionais, utilizando de subterfúgios, como é o caso do ex-presidente, que mesmo coabitando com o golpe, reiteramente blefou em dizer que sempre se pautou em andar dentro das quatro linhas da constituição. Que se puna os culpados, sem se cogitar de anistia, e viva a democracia brasileira!
A culminância da loucura bolsonarista
