O ato infame do presidente é endossado pelos seus seguidores o que torna a barbárie ainda mais repugnante. Tudo porque a Bahia é governada por um adversário? Não, o presidente já endossou uma experiência macabra com o povo amazonense governado por um aliado. Lá, aliás, colocou em prática algo parecido com o que Hitler fez na Alemanha. Entrando no último ano de mandato e em plena pré-campanha eleitoral o presidente desdenha dos fatos relevantes e foca na sua reeleição. Foca naquilo que seus seguidores mais admiram: as potocas verbais diárias e as agressões gratuitas a seus adversários. Para isso sacrifica pautas humanitárias como alinhar uma estratégia de socorro ao povo baiano na sua experiência trágica. Isso é desumano demais!
Bolsonaro dá as costas para que o povo espera de um bom governante. Ambrogio Lorenzetti, pintor renascentista italiano, pintou um afresco no salão da Paz do Palácio Público de Siena onde representa várias alegorias para um bom governo em qualquer situação. Nele ressalta a importância da sabedoria e da justiça como valores fundamentais em um bom governo. Bolsonaro ignora tudo que diz respeito a atributos ideais para um bom governo. Para ele, a galhofa e a agressão são valores bem mais expressivos que qualquer outro atributo cogitável. Não se observa o mais tênue indício de justiça e sabedoria em suas ações. Esse desprezo com o povo baiano, contudo, é intolerável, máxime quando sequer se esquiva de dar publicidade ao seu doloso desprezo institucional.
Enquanto o povo baiano se vira para não entrar na estatística, o presidente no litoral catarinense faz apostas na mega-sena, corta o cabelo em uma barbearia comum, faz parada em bares e conversa com apoiadores na areia, dança funk e pilota, com a constrangida filha Laura na garupa, seu amado jet sky. Seria bom se tivesse pelo caminho uns afrescos de Ambrogio Lorenzetti para orientar o presidente a agir como um bom governante e, ao invés de fazer um roteiro com essas tarefas inúteis, pudesse trilhar, serenamente, pelos caminhos da sabedoria e da justiça. Por enquanto, o presidente, com seu jet sky do desprezo, serve de régua para o filme “Não olhe para cima”, mantra do negacionismo mundial.