Carlo M. Cipolla, intelectual e notável professor de história econômica da Universidade da Califórnia, no livro As Leis Fundamentais da Estupidez Humana, afirmou que desde tempos remotos, uma extraordinária e poderosa força do mal, alicerçada na estupidez humana, vem prejudicando a felicidade e o bem-estar dos indivíduos. Afirmava, com convicção matemática, que pessoas estúpidas mandam no mundo. O Brasil tem a experiência contemporânea dessa afirmação. Estamos sob o jugo dos estúpidos, escolhidos a dedo pelos eleitores, num processo que merece ser melhor investigado pelos estudiosos do assunto.
No Brasil atual, ser político se transformou numa atividade reservada aos que cultivam a estupidez como virtude, sobretudo por aqueles que se reputam conservadores e liberais. A incivilidade passou a ser atributo intrínseco da nova safra. Não escapa ninguém: presidente, ministros, assessores, parlamentares e todos que os cercam tem como predicado a estupidez avançada, aquela que busca sempre revelar o pior do ser humano, na expressão reprovável de sua miséria como ser. Chega-se ao ponto de se gabar de matar o semelhante como se Cristo nunca houvesse passado por aqui.
O pior é que a estupidez se transformou numa prática social aplaudida e venerada entre uma massa de brasileiros que se enrolam na bandeira nacional. Adjetiva-se esse desvio reprovável da personalidade humana como autenticidade, simplicidade e outras virtudes impossíveis de se cogitar quando a normalidade impera. Esse estado comportamental tem como força estruturante o ódio. Sem ódio a estupidez é menos danosa. Com ele, contudo, a humanidade se vulnerabiliza e os sagrados valores da convivência social pacífica se destrói, cedendo espaço para a barbárie, num processo evolutivo de destruição total dos valores vigentes.
O discurso da estupidez proferido pelos políticos da tenda do ódio é uma intervenção nefasta no curso da história. O Senador Flávio Bolsonaro, com suas frases feitas, produzidas nos guetos da discórdia, é apenas um agente engravatado do modelo de mundo que querem nos impor. Há, por trás disso tudo, um povo que se maquia, veste a melhor roupa, tira o carro importado da garagem, enrola-se na bandeira e busca no pobre inconsciente, uma parceria para aplaudir a estupidez que destrói nas pessoas aquilo que lhe é intrínseco: a humanidade.