Sabe-se que o combate à fome é um trabalho de fôlego e de compromisso firme de qualquer governo que tenha o ser humano no vértice de suas prioridades. Os dados revelados pela pesquisa apontam como fatores determinantes do quadro desolador a pandemia e ausência de medidas efetivas pelo Governo Federal. O atual governo, desde o seu início, não deu muita bola para essa pauta importantíssima. O debate sobre armas foi mais intenso que as ações de enfrentamento das mazelas sociais como a fome. Aliás, sobrou crítica aos governos anteriores pela acentuada preocupação com as políticas públicas voltadas à erradicação da pobreza.
O Ministro Paulo Guedes – mesmo com os estudos sobre os indesejáveis efeitos da pandemia na qualidade de vida dos brasileiros, em especial à insegurança alimentar – resistiu o quanto pode para aderir a ideia de que era necessário políticas de auxílio ao cidadão brasileiro menos favorecido. Não é de se espantar. As políticas neoliberais focam sua preocupação em outras pautas da economia, pois acreditam, como dogma, que a tal “mão invisível” colocará tudo no seu devido lugar. Ocorre que a “mão real” da miséria bate à porta dos menos aquinhoados assim que a economia sofre qualquer tipo de abalo.
Arrepia qualquer analista social saber que o Governo Federal, por intermédio do próprio presidente e do Ministério da Cidadania, reputa que o Brasil está fazendo seu dever de casa a contento no combate à fome e à miséria. Uma ova! Enquanto os estudos apontam para a necessidade da continuação do auxílio emergencial como instrumento de efetivo combate à miséria, o Estado reduz o valor do benefício, mesmo tendo informações que orientam no sentido de aumentar os investimentos no combate a esses flagelos sociais. O Brasil já foi referência mundial nesse tipo de política pública e serviu de exemplo, inclusive para o primeiro mundo. Agora a pauta é outra.
O Pior é saber que a fome tem rosto. Segundo a pesquisa, lares comandados por mulheres lideram as mesas vazias. Se a mulher for de cor preta ou parda e de baixa escolaridade o estrago é trágico. Tudo isso causa indignação e repulsa. Enquanto isso, a preocupação do Governo Federal é liberar armas para os fortes braços brancos atirarem nos “malfeitores sociais”, numa proposta de abate para higienização social, esquecendo que parte da classe média, também, não foi poupada dos efeitos da pandemia. A falta de leitura desses dados da pesquisa impõe ao Brasil um retrocesso de décadas. O atual contexto remete o brasileiro a lembrar do irretocável aforisma de Leon Tolstoi: “Se há no mundo um ocioso, deve haver também alguém prestes a morrer de fome”. Bingo!