Direção: David Gordon Green
Roteiro: David Gordon Green, Danny McBride, Scott Teems
Duração: 1h45min
Onde assistir: Somente nos cinemas
Atualmente, slashers não têm mais a mesma força que possuía nas últimas décadas. Na era em que o pós-terror – estilo que prefere construir o horror através de sensações como nojo e aversão – vem ganhando cada vez mais admiradores, a ideia de um enredo focado em um assassino de padrão e motivações aleatórias que vaga por aí matando pessoas já não é tão atraente ao público assim. Sabendo disso, David Gordon Green, ainda incipiente no gênero ‘’terror’’, fez uma escolha inteligente para trazer destaque, especialmente a uma franquia tão famosa, ao apelar para a nostalgia.
Os filtros que remetem a um filme dos anos 70, figurino e flashbacks de personagens já conhecidos na franquia não contrastam nem um pouco com os smartphones e elementos mais contemporâneos do nosso século, pelo contrário, na pequena Haddonfield, eles se casam. Complementar a estética mais nostálgica às questões e demandas do nosso tempo revelam, da parte do diretor, um bom domínio sobre a história original, os arcos de cada personagem e cenário. Mas o que mais surpreende no novo filme, é a polêmica brutalidade dos assassinatos.
Uma das coisas que mais marca a premissa de um filme slasher são justamente os assassinatos excessivamente sangrentos, e em ‘’Halloween Kills: O Terror Continua’’, Michael Myers aparece ainda mais sedento por destruição, provocando mortes perturbadoras e brutais, que realmente tem um potencial de provocação de um medo real. E essa é uma temática que o filme explora de forma magistral, mesmo sem ligação direta com tentativas de sustos sucessivas ou criação de uma atmosfera insuportavelmente incômoda – o medo. Mais especificamente, da ambiguidade do excesso de medo, que pode ser condutor de decisões heróicas, mesmo que imprecisas e, ainda assim, de atos tão precipitados ao ponto de se tornarem cruéis.
Como a própria Laurie Strode (Jamie Lee Curtis) faz questão de pontuar, em uma passagem do filme: A obra de Michael é o medo. É através do medo que ele divide Haddonfield, que ele gera raiva, imediatismo, revolta e imprudência. Ele se torna um criador do caos ao tirar da população uma das bases para seu bom convívio: a segurança. E é justamente através dessa insurreição que um confronto direto entre o povo e o assassino se consolida. O que antes tinha um enfoque maior no ódio de Laurie por Michael se torna um interesse civil. Caçador e caça por vezes se confundem, trazendo à vida um embate muito verdadeiro, que consegue honrar o nome da franquia.
Apesar de estar bem longe de entregar o mesmo fenômeno cinematográfico do primeiro filme, para um diretor que não possui tanta experiência no terror, a sequência é muito convincente, estruturada e organizada. Elevando a ideia do assassino em carne e osso a um mito; o verdadeiro bicho papão contemporâneo.
CLASSIFICAÇÃO: 3 Estrelas