‘’Uma Mulher Fantástica’’, é um desses filmes que mais parecem um soco no estômago, um puxão de orelha para te fazer acordar. Com uma direção absurdamente sensível de Sebastián Lelio, o drama chileno acompanha Marina (Daniela Vega), uma mulher trans que, após a morte do namorado, se vê obrigada a enfrentar a família preconceituosa e hostil dele, juntamente com o resto da sociedade, que a enxerga como uma quimera e, com toda incivilidade, a trata como ‘’algo’’ à parte da sociedade.
Ora com gestos velados, ora com rechaças insensíveis, todos ao redor de Marina parecem ter uma opinião, um julgamento, uma crítica destrutiva para fazer. Através da perspectiva da moça, percebe-se que seu corpo e existência são tidos como objeto de estudo público, desde a escolha de seu nome até a configuração de sua genitália.
A atuação vívida e poderosa de Daniela Veja faz com que todas as situações que Marina vive sejam ainda mais revoltantes. Proporcionando uma imersão como poucas nas mágoas da personagem. O uso da profundidade frequentemente nas cenas é como um reflexo da tristeza da moça, complementando com louvor o aspecto trágico e silencioso do filme.
Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2018, o filme descreve as nuances da transsexualidade como nenhum outro, respeitosa e sensivelmente, e mostra-se uma das grandes obras do nosso tempo.
Cruella (Disney+)
Explorar a persona de seus grandes vilões nas telas de cinema tem sido um grande acerto da Walt Disney. A protagonista da vez é Cruella, tão icônica e megalomaníaca quanto a versão memorável de Glenn Close em 101 Dálmatas (1996).
Dessa vez, interpretada por Emma Stone – que mergulhou brilhantemente no ínfimo da personagem – são representados dois lados da tão conhecida vilã: Um que se reprime, obediente, gentil e condescendente, e outro selvagem, irônico, irreverente, e óbvio, cheio de estilo. Nessa dicotomia, o filme explora desde a infância da estilista, ao momento em que ela finalmente abraça seu lado vilanesco.
Com um figurino à altura e absolutamente escandaloso, uma trilha sonora contagiante e uma personalidade dicotômica muito bem desenvolvida, a história de Cruella cativa logo nos primeiros momentos, o espectador é deliciosamente coagido a se aventurar pela mente maléfica e genial por trás das roupas incríveis e planos magistrais.
O live action eleva a identidade de Cruella a outro patamar, consagrando-se como um dos melhores já produzidos pela Disney.