Sempre é tempo de aprender. Observar e refletir com os movimentos dos acontecimentos em nosso entorno e nas perguntas e respostas que trazem a transbordo para dar impulso às fitas que esvoaçam em uma dança bumerangue a tecer caminhos internos, intensos ou suspensos.
Nesta olímpiada, eu, aqui distante, mais de 9.000 quilômetros me separam de Paris, mas lá vibrante, entre tantas histórias de superação e alegrias, encantei-me com a fala do jovem medalhista curitibano no skate, Augusto Akio, em uma entrevista: “querer não é poder…” Água cristalina jorrando da fonte de experiências vividas.
O querer esse atributo e fundamento com o qual todos nós somos agraciados, tantas
vezes banalizado pelos filósofos, não de botequins, pois lá o “papo é mais profundo e reto”, repleto de empatia e sincera observância do dia a dia. Refiro-me aos filósofos de uma ou nenhuma leitura, seja de livro ou de vida, ou de sentimentos…
Confesso, a mim causa indisposição essa banalização de frases feitas do Mercado, pretensiosas e superficiais, conclusões impensadas, empurradas “goelas a baixo” na plateia desavisada, como a já famosa de que “querer é poder. Ponto”. São simulacros a desviar olhares e rotas, a causarem frustrações e incompreensões ou até tristezas e depressões.
Querer é querer. É um princípio. Há de se mergulhar nele para compreender. Ou mergulhar na vida. Já o poder? São tantas suas faces que merecem um tratado específico.
Surfando sobre ondas sonoras e indo das palavras e falas aos fatos, foi o mar do Taiti quem mandou seu recado olímpico. Medina “queria” se classificar para a medalha de ouro e podia buscá-la. Jack Robinson, surfista australiano, também queria e podia. Ambos esbanjam dedicação e talento. Netuno mandou uma única onda para o brasileiro e quatro para o Jack.
As águas soberanas dos mares por aí não pararam. Na disputa pelo ouro e a prata inverteram a escrita e foi Jack quem ficou sem ondas; enquanto o francês taitiano, Kauli Vaast, cavalgou abraçado às lendas de Teahupoo, livre, leve e solto, conduzido pelas espumas dos mares rumo a medalha de ouro.
RECADO DO MAR DE TEAHUPOO
