A foz do Rio Amazonas é uma região de extrema importância ambiental e econômica, sendo palco de disputas entre diferentes atores sobre o uso de seus recursos. Nos últimos anos, a discussão acerca da existência de corais na região ganhou relevância devido às alegações do Greenpeace sobre a presença de uma barreira de corais, fato contestado por especialistas da Universidade Federal do Pará (UFPA), como o professor Luís Ercílio Faria Junior, doutor em Ciências Naturais pela Universidade de Würzburg, na Alemanha, grande cientista da geologia e geomorfologia da região amazônica, especialmente sua foz, com ênfase na plataforma continental do Norte do Brasil. Participou de projetos de pesquisa como o AMAS-SEDS (Amazon Shelf Sedimentary Studies), que visou compreender a sedimentologia e a dinâmica sedimentar da plataforma continental amazônica. Outro cientista que também contesta a existência dos tais corais da amazônia é o Dr Maâma El-Robrini, oceanógrafo com vasta experiência acadêmica e profissional, Mestre em Physiographie des Océans et des Littoraux e doutorado em Geologia Marinha. Esta controvérsia envolve não apenas questões científicas, mas também interesses econômicos e geopolíticos que afetam diretamente a exploração de petróleo na costa do Amapá.
Contexto geomorfológico da Foz do Rio Amazonas
A foz do Rio Amazonas se caracteriza por suas condições ambientais únicas, com uma descarga fluvial imensa, levando milhões de toneladas de sedimentos ao oceano. Geomorfologicamente, essa região apresenta um substrato composto majoritariamente por rochas carbonáticas, formadas ao longo de milhares de anos devido à sedimentação e processos químicos naturais. Estudos realizados por pesquisadores brasileiros e estrangeiros ao longo de mais de cinco décadas indicam que, embora a região possua formações de carbonato, as condições ambientais — como a turbidez elevada das águas e os fluxos de sedimentos — não são propícias ao desenvolvimento de recifes de corais vivos.
O projeto AMAS-SEDS, conduzido na década de 1980 e apoiado por universidades do Brasil e dos Estados Unidos, resultou em um mapeamento detalhado da plataforma continental do Norte do Brasil. Os dados coletados indicam que a área em questão é dominada por rochas carbonáticas antigas, muitas das quais se formaram durante períodos de variações significativas do nível do mar. Essas rochas não sustentam vida, não há corais nesta área, contrariando a argumentação da ONG ambientalista de que existe uma “barreira de corais ativa na região”.
A alegação do Greenpeace e a contestação científica
Em 2017, durante uma audiência pública sobre o licenciamento ambiental do bloco FZA-M-059, então sob responsabilidade da BP (Britsh Petroleum), o Greenpeace apresentou imagens e materiais afirmando a existência de corais na foz do Amazonas. Segundo o pesquisador da UFPA, Luís Ercílio Faria Junior, essas alegações foram feitas sem base científica sólida e utilizaram imagens manipuladas que não refletiam a realidade geológica da região. Faria Junior destaca que as formações apresentadas pelo Greenpeace eram, na verdade, estruturas de rochas carbonáticas e não corais vivos. Além disso, o estudo citado pela ONG, conduzido por Rodrigo Moura e publicado em 2016 na revista “Science Advances”, é mencionado no parecer técnico do Ibama como um trabalho que ainda requer mais investigação para validar suas conclusões.
Ercílio, em suas declarações, salientou que a análise geológica oficial da plataforma continental brasileira, desenvolvida pelo Serviço Geológico Brasileiro (SGB), é o único documento confiável para embasar decisões ambientais. Ele também apontou que o Greenpeace, como uma organização não científica, busca legitimar suas campanhas por meio da inclusão de acadêmicos, mas muitas vezes distorce informações para atender a seus objetivos, que podem estar ligados a interesses externos.
Interesses Ocultos e Influências Externas
A atuação do Greenpeace na questão dos corais na foz do Amazonas pode ser interpretada como parte de uma estratégia maior para impedir a exploração de petróleo na Margem Equatorial. Essa região possui um potencial estimado entre 10 e 30 bilhões de barris de petróleo, o que representa um valor econômico que pode ultrapassar os trilhões de reais. A exploração dessas reservas poderia transformar a economia do Amapá, um dos estados mais pobres do Brasil, elevando sua participação no mercado nacional e internacional de petróleo.
Entretanto, organizações como o Greenpeace, muitas vezes financiadas por entidades internacionais, podem estar a serviço de interesses que vão além da preservação ambiental. Países desenvolvidos e empresas estrangeiras têm interesse em manter reservas estratégicas de petróleo intocadas em regiões do Hemisfério Sul para evitar a competição no mercado global de energia. Assim, ações que impedem a exploração de recursos naturais em países como o Brasil acabam favorecendo economicamente essas nações e empresas.
Dados Geológicos e Científicos
Os estudos de geomorfologia realizados na foz do Amazonas indicam que as formações carbonáticas datam de períodos em que o nível do mar era significativamente mais baixo, há cerca de 10 mil anos. Com o aumento do nível do mar e a deposição contínua de sedimentos do Rio Amazonas, essas formações ficaram soterradas, inviabilizando a existência de corais vivos. Além disso, as condições ambientais da região — como a alta turbidez e a baixa penetração de luz — são fatores que tornam biologicamente improvável a presença de um ecossistema de corais. Para o desenvolvimento de corais, são necessárias águas mais claras e uma exposição constante à luz solar, características ausentes na foz do Amazonas.
Impactos na Exploração de Recursos
A exploração de petróleo na Margem Equatorial pode representar uma reviravolta econômica para o Amapá e outras regiões adjacentes. Os royalties provenientes dessa atividade, conforme a Lei nº 12.734/2012, seriam divididos entre a União, estados e municípios, proporcionando recursos essenciais para o desenvolvimento de infraestrutura, saúde e educação. No entanto, a divulgação de informações não comprovadas sobre corais tem servido como argumento para impedir a concessão de licenças ambientais, perpetuando a pobreza na região.
O Papel das ONGs e o Discurso Ambientalista
Organizações não governamentais (ONGs) como o Greenpeace frequentemente desempenham um papel importante na defesa do meio ambiente, porém, é fundamental distinguir entre iniciativas que promovem debates científicos legítimos e aquelas que servem a propósitos menos transparentes. No caso específico da foz do Rio Amazonas, a narrativa sobre a existência de corais parece ter sido usada como ferramenta para barrar a exploração de petróleo, com implicações que vão além da conservação ambiental.
O professor Luís Ercílio Faria Junior e outros cientistas renomados questionam a veracidade das alegações do Greenpeace com base em décadas de estudos de campo e análises geológicas detalhadas. O posicionamento do professor é fundamentado na inexistência de evidências concretas que sustentem a presença de corais vivos na região. Ele enfatiza que o uso de mapas manipulados e imagens não verificadas apenas distorce o debate público e prejudica a tomada de decisões embasadas em ciência rigorosa.
Essa prática de disseminação de informações questionáveis levanta questões sobre a agenda real dessas ONGs. Como organizações que dependem de doações e apoios internacionais, elas podem ser influenciadas por interesses que visam manter regiões como a Margem Equatorial intocadas, favorecendo, assim, a estabilidade dos preços globais de petróleo e a dependência dos mercados de países em desenvolvimento em relação aos produtores dominantes.
Geopolítica e recursos naturais
A Margem Equatorial, onde se encontra a bacia da foz do Amazonas, possui reservas de petróleo estimadas entre 10 a 30 bilhões de barris, o que representa um potencial de exploração significativo para o Brasil. Segundo cálculos econômicos, essas reservas poderiam gerar receitas de até R$ 4,46 trilhões, transformando o Amapá de um estado economicamente frágil em um polo de desenvolvimento nacional. Contudo, a resistência à exploração é notável, especialmente por parte de grupos ambientalistas que argumentam em defesa de uma preservação que, segundo cientistas, está baseada em premissas equivocadas.
A questão central é que, enquanto ONGs promovem a narrativa militante de conservação integral, o impacto econômico e social de não explorar esses recursos recai sobre a população local. No Amapá, que é o estado mais pobre do Brasil, a exploração de petróleo poderia significar um avanço em infraestrutura, educação, segurança e saúde, com reflexos diretos na qualidade de vida dos seus habitantes. A não exploração contribui para a perpetuação de um cenário de estagnação econômica e marginalização social, algo que muitas vezes não é levado em conta nas campanhas de preservação.
O conhecimento científico contra a desinformação
As discussões sobre a existência de corais na foz do Amazonas deveriam ser pautadas em estudos científicos sólidos e dados empíricos. O mapeamento geológico realizado pelo Serviço Geológico Brasileiro (SGB) e as análises de campo conduzidas por cientistas da UFPA e de outras instituições respeitadas são claras ao indicar que a região é composta por rochas carbonáticas formadas há milhares de anos, sem condições atuais para sustentar um recife de corais. A falta de evidências que comprovem a presença de corais vivos na foz do Amazonas reflete a necessidade de reavaliar as premissas apresentadas por entidades como o Greenpeace.
Luís Ercílio Faria Junior reforça que a única maneira de validar uma hipótese científica é por meio da coleta de amostras e da análise direta no campo, algo que o Greenpeace e seus apoiadores não realizaram de forma suficiente para sustentar suas alegações. Segundo ele, as afirmações de existência de corais na foz são um exemplo de “fake news científica”, uma prática que compromete a integridade do discurso ambiental e desvia o foco de questões legítimas de preservação ambiental para uma agenda política e econômica.
Conclusão: caminhos para um debate transparente
O debate sobre a exploração de petróleo na Margem Equatorial, especificamente na foz do Rio Amazonas, precisa ser conduzido com base em ciência sólida e transparência. A narrativa do Greenpeace e de outras ONGs, que afirma a existência de uma barreira de corais na região, foi desafiada por especialistas que estudaram a área por décadas e não encontraram evidências que corroborem essas afirmações. A perpetuação dessas alegações infundadas pode atrasar o desenvolvimento econômico e social do Amapá, privando a população local dos benefícios que poderiam advir da exploração sustentável dos recursos naturais.
A exploração de petróleo na costa do Amapá, quando feita de forma responsável e respeitando as normas ambientais, tem o potencial de transformar a região e oferecer melhorias significativas para seus habitantes. No entanto, para que isso aconteça, é fundamental que o debate seja orientado por dados precisos e análises técnicas, livres de interesses externos que busquem perpetuar a dependência econômica e as disparidades globais.
Fontes Bibliográficas
Dardenne, M. A., & Schobbenhaus, C. (2003). Recursos Minerais do Amapá.
Moura, R. L., et al. (2016). Science Advances, estudo sobre as formações da Margem Equatorial.
Faraco, M. T., & Carvalho, H. F. (1994). Estudos Geológicos e Sedimentares da Região Norte do Brasil.
Dardenne, M. A., & Schobbenhaus, C. (2003). Recursos Minerais do Amapá.
Moura, R. L., et al. (2016). Science Advances, sobre as formações da Margem Equatorial.
Faraco, M. T., & Carvalho, H. F. (1994). Estudos Geológicos e Sedimentares da Região Norte do Brasil.