Valter Hugo Mãe,
o português angolano,
escritor de renome,
amante da brasilidade,
escreveu o romance:
“O filho de mil homens”.
Editado em 2011, em além-mar.
No entanto, não falarei do livro, nem do filme.
Desnecessário qualquer comentário.
Seiva e essência da condição humana ali estão.
Reflito sobre as realidades impressas e rodadas.
O somatório de conexões necessárias para o pulsar da vida,
Embora tantas sejam obscuras e manipuladas,
atos de supressão do sopro sagrado, falsidades e armadilhas.
Impossível não pensar no contraste que há entre o belo e o mesquinho.
Impossível não ser tocada pela urgência de humanidade.
O mesquinho e o vil em oposição constante ao belo e nobre ocorrem no ordinário dos atos executados no dia a dia, seja na calmaria ou na tempestade.
Diante deste cenário tecido com arte e desenhado com sensibilidade na aquarela das emoções abrem-se portas e janelas, grutas e cavernas em redemoinhos subterrâneos.
Quem somos?
Filhos de mil homens?
Ou o judeu errante?
O solitário lobo a uivar para a Lua distante e pálida?
Qual nosso lugar no mundo?
O dos invisíveis?
Ou dos hipócritas que julgam?
O que nos define?
O sorriso que acolhe, o abraço que aquece ou a cruz que martiriza?
Neste instante, encanto-me com o filme.
Com sua pluralidade de focos, de sentimentos, preconceitos, sistemas e saberes.
Com sua pluralidade de redes na busca do filho do homem ou do homem encarcerado e liberto no som de uma concha em mar aberto, desperto trazendo o rastro de tantos milênios.

