O povo diz que quanto maior o pau, maior a queda.
Caso o leitor imagine que a crise que atravessamos é brasileira está redondamente enganado. A crise é global causada por desvio de recursos para financiar guerras. É preciso que todos entendam que quem sustenta a economia de todos os países são os compradores (consumidores) e no momento que o dinheiro não chega aos seus bolsos a economia vai ‘pro brejo’. É o que há muito está acontecendo no Brasil. O nosso rico dinheirinho está sendo gasto em despesas que não beneficiam o nosso povo.
Sobre o que está acontecendo a gigante Saks Global a Reuters publicou, em 16 de janeiro de 2026, a matéria “A Saks Global aposta no setor imobiliário para manter as portas abertas durante a falência”, assinada por Juveria Tabassum, que transcrevo trechos.
“O financiamento DIP poderia dar à Saks tempo para monetizar seus ativos imobiliários. Negociações com fornecedores e problemas de estoque representam desafios para as operações da Saks. Contratos de arrendamento antigos oferecem à Saks poder de negociação em shoppings de alto desempenho, afirma consultor imobiliário. O valioso portfólio imobiliário da Saks Global pode servir como uma importante moeda de troca com os credores, enquanto o império de compras de luxo, duramente atingido pela crise, passa por sua reestruturação após o pedido de falência.
O conglomerado de lojas de departamento de luxo dos EUA entrou com pedido de proteção contra falência, ao abrigo do Capítulo 11, na noite de terça-feira, pouco mais de um ano após uma aquisição onerosa com o objetivo de criar uma potência do setor de luxo, reunindo Saks Fifth Avenue, Bergdorf Goodman e Neiman Marcus sob o mesmo teto. Embora a Saks Global tenha garantido um pacote de financiamento de US$ 1,75 bilhão para ajudar a manter as operações em funcionamento durante o processo de falência, permanecem dúvidas sobre se a proprietária de algumas das cadeias de luxo mais conhecidas dos EUA conseguirá se recuperar.
Fechar espaços comerciais com baixo desempenho pode ser uma estratégia fundamental para garantir a sobrevivência do negócio, afirmou Brandon Isner, chefe de pesquisa de varejo nos EUA da empresa de consultoria imobiliária Newmark (NMRK.O), com sede em Nova York. ‘Uma das maneiras de monetizar seu portfólio seria por meio da opção de venda e arrendamento posterior, na qual a Saks poderia vender seus ativos a um investidor e arrendá-los de volta para continuar gerando receita com o ativo, proporcionando liquidez e permitindo que as operações em suas lojas continuem’, disse Matt Weko, presidente da divisão de bens de consumo e serviços da consultoria de investimentos imobiliários JLL.
A Saks Global opera cerca de 125 lojas, totalizando aproximadamente 1,2 milhão de metros quadrados (13 milhões de pés quadrados) nos EUA, e detém ou controla os contratos de arrendamento de terrenos em 39 delas, de acordo com seus documentos judiciais. Seu império varejista consiste em localizações privilegiadas em ruas comerciais movimentadas, como a Quinta Avenida em Manhattan e corredores de luxo em Beverly Hills, Califórnia, bem como shoppings de alto padrão, como o Bal Harbour Shops na Flórida, onde as bandeiras da Saks e da Neiman Marcus ancoram um mix de lojas de luxo.
De acordo com o processo de falência, a loja principal da Saks na Quinta Avenida não está incluída no processo. A Global aluga o espaço de uma entidade separada, que possui uma hipoteca de US$ 1,25 bilhão sobre o imóvel e não está entre os devedores. A Saks Global solicitou ao tribunal autorização para encerrar cerca de quatro lojas que já não estão em funcionamento, conhecidas popularmente como ‘dark stores’.
A venda desses imóveis resultaria em um desconto entre 40% e 50% em relação ao seu ‘valor de mercado’, que leva em consideração o fato de a loja estar aberta, de acordo com um consultor imobiliário familiarizado com as discussões sobre os imóveis da Saks e que avaliou o portfólio. Para manter as prateleiras abastecidas, espera-se que a varejista de luxo em dificuldades priorize o pagamento aos fornecedores para incentivar as marcas a fornecerem novos produtos, após um ano em que mais de 100 marcas suspenderam as entregas, observam especialistas em falências.
O pacote de financiamento, que ainda precisa ser aprovado pelo tribunal, pode dar tempo para a Saks preservar o valor de seus ativos imobiliários e monetizá-los, em vez de forçá-la a fechar lojas rapidamente com descontos, prática conhecida como liquidação forçada, disseram analistas e especialistas. No entanto, a Saks e a Neiman Marcus frequentemente são lojas âncora nos mesmos centros comerciais de luxo, criando concorrência interna. No Galleria Mall, pertencente ao Simon Property Group (SPG). Houston, por exemplo, a Neiman Marcus fica ao lado da Saks em um shopping center com mais de 400 lojas e diversas marcas de luxo, incluindo Balenciaga, Louis Vuitton, Gucci e Bottega Veneta.
Esses espaços compartilhados precisariam ser revistos e poderiam estar entre os primeiros a serem vendidos, visto que a Saks está realizando uma revisão de seu portfólio, disseram analistas. Saks, Neiman Marcus e Bergdorf Goodman também enfrentam concorrência crescente de marcas de luxo como Louis Vuitton (LVMH.PA) a Chanel, que se inclinam cada vez mais para as suas lojas próprias.
‘Por que um cliente escolheria a Saks em vez da loja principal da marca, onde recebe benefícios VIP e experiências imersivas da marca? O varejo multimarcas só funciona quando o ambiente agrega valor, e a Saks não conseguiu isso’, disse George Gottl, diretor de criação da FutureBrand, empresa que assessora varejistas multimarcas em design de lojas.
Concorrente das lojas de departamento e controladora da Bloomingdale’s, a Macy’s (MN). A empresa também está fechando cerca de 150 lojas com baixo desempenho, incluindo algumas em locais importantes, como a da Fulton Street, no bairro do Brooklyn, em Nova York, para ajudar a controlar os custos e investir em lojas que ofereçam melhores retornos.
‘Os proprietários de centros comerciais de primeira linha adorariam ter esse espaço de volta. Reutilizar lojas âncora de dois andares em grandes espaços comerciais divididos (como as lojas Primark e Dick’s House of Sport que serão inauguradas no Newport Centre, em Nova Jersey) ou em empreendimentos de uso misto pode renovar o mix de loja’’, acrescentou Isner, analista de varejo da Newmark.”
A meu ver a Saks Global está se antecipando à nova grande bolha imobiliária que deverá estourar em breve nos EUA com repercussão direta no setor bancário que suspenderá os empréstimos e financiamentos que atingirá os bolsos dos consumidores americanos. O Presidente Trump cujo governo possui especialistas em finanças públicas e que já estão trabalhando seriamente para proteger o país e os consumidores que na realidade são eleitores. Salvo engano creio que é a hora do nosso governo ‘pôr as barbas de molho’.
“As grandes marcas, os grandes fabricantes – eles nos abandonaram. Agora, precisamos nos comunicar diretamente com o consumidor. Só podemos confiar em nós mesmos” – Hiroko Kusaba CEO da Seiko SCM.

