Derrama-se o dinheiro dos cofres públicos – o dinheiro do povo.
O teu, o meu, o nosso dinheiro – produzido com suor, sono e dor.
Nos caminhos entre a saída e o destino, desde o planalto Central
até os 5.570 municípios, estes margeando rios e oceanos ou
embrenhando-se nos sertões e em metrópoles e megalópoles,
segue o dinheiro por canais de esgotos.
“Não, nunca, jamais deverão os valores chegar ao destino…”
Solta um grunhido o rato ou o gafanhoto sobre o dorso das mãos.
Talvez tenha sido o estertor de um peixe-leão…
Há de se considerar ratazanas, pulgas e cupins,
os corós e as abelhas africanas, além dos javalis.
Perdoe-me!
“Nunca” é expressão muito forte, dessaba temporal e Vento Norte.
Talvez sobre alguns centavos para a pipoca, se o lugarejo tiver sorte.
O cenário e o roteiro são similares, o dinheiro sai do caixa,
mas não chega ao Quilombo de Palmares,
nem ao avesso do avesso do avesso – Reverso.
Perverso universo controverso:
as estradas permanecem rotas semidestruídas, a educação convulsionada,
a saúde desconfigurada, as barragens ruindo, as minas desviadas ou roubadas…
Estão transportando ossos para jogar aos desvalidos.
Abrem-se guarda-chuvas com rótulos ideológicos,
os mais variados rótulos em todas as esquinas,
entupindo as redes e os periódicos, clandestinos ou não, nobre Simão.
O FATO É QUE O MARKETING DE SEUS SUBPRODUTOS É ENORME.
Vende-se cadeiras no céu, compra-se cargos públicos.
Embrulham-se em bandeiras de outras terras e dizem ser patriotas.
É um desatino, no entanto, o caos, por ora, gera fascínio.

