Há uma história curiosa escondida nas fotografias antigas: a vida envelhecia mais cedo. Não muito tempo atrás existia um “ar de 40 anos aos que tinham apenas 20”.
A nutrição em décadas atrás era deficiente, mais pobre em vitaminas, proteínas e micronutrientes. Isso acelerava o desgaste da pele, do cabelo e dos dentes. Hoje a hidratação, os antioxidantes e o acesso fácil a alimentos variados retardam os sinais visíveis da idade.
A geração anterior vivia mais ao relento. Sol forte, vento, poeira, enxada, construção, longas caminhadas. O rosto era um mapa do cotidiano. Hoje passamos boa parte do dia em ambientes climatizados e usamos tecnologias anti envelhecimento. Na verdade, os bons tempos de antigamente não era tão bons assim. Fumo e álcool eram normalizados.
O cigarro estava em todo lugar. E álcool era consumido desde cedo. Ambos envelhecem a pele, corroem a saúde vascular e aceleram rugas e flacidez.
Hoje falamos de burnout. Antes, chamava-se “vida”. Trabalho pesado, pouca folga, pressão econômica, perdas familiares constantes… o sofrimento pairava no olhar. Muitos hoje tomam pílulas para lidar com sua angústias. E isso não totalmente ruim. Em muitos casos ajuda em muito as pessoas carregarem seus fardos. Obviamente que não faço uma apologia a viver dopado para ver a vida passar. Mas, não me coloco contra os avanços científicos que melhoram a vida nossa de cada dia. Antes as pessoas levavam tudo no peito e na raça, com isso o corpo imprimia no rosto e na alma nossas dores. Nós nao tínhamos nem de perto os tratamentos médicos que usamos hoje. Nenhum acesso a medicina preventiva, protetores solares, dermatologia acessível, reposição de vitaminas, tratamentos dentários regulares, correção hormonal, controle de doenças silenciosas. Em nossa geração tudo isso contribuiu para uma aparência mais jovem. Soma-se a isso, códigos de moda e roupas mais sérias, penteados rígidos, barba densa, óculos de aros pesados. O estilo nos colocava alguns anos extras. Hoje a estética é mais leve, esportiva, fluida.
A fotografia também não perdoava. As câmeras antigas tinham contraste forte, baixa qualidade, pouca suavização. O resultado era um rosto mais austero e marcado. Lembre-se também que aos 20 anos muitos já eram pais, tinham responsabilidades pesadas, cuidavam de casas, terras, irmãos. A vida exigia gravidade. A alma amadurecia rápido e isso moldava a expressão.
Nossos avós não eram mais velhos; eram mais expostos. Viviam sob um céu sem filtros. Hoje temos acolchoados visuais, protetores, cremes, dietas, academia, medicina preventiva, tecnologias novas e um ritmo diferente. Sim, alguem vai me dizer que os inimigos são outros. E você está certo. São muitos desafios novos que enfrentamos.
Mas em relação a idade, ela chega igual. A diferença é o caminho até ela.

