Você sabia que as doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no Brasil?
Dados do Ministério da Saúde mostram que cerca de 300 mil brasileiros sofrem infarto agudo do miocárdio por ano, com uma taxa de mortalidade em torno de 30%. E a previsão é ainda mais preocupante: esse número tende a crescer nas próximas décadas.
Mas existe um ponto pouco discutido — e extremamente relevante para nós aqui no Amapá: quem tem doença reumática também precisa cuidar do coração.
Reumatismo não é só dor nas articulações
Doenças como artrite reumatoide, lúpus, artrite psoriásica e espondilite anquilosante não afetam apenas as articulações. São doenças inflamatórias sistêmicas, capazes de atingir diversos órgãos — inclusive os vasos sanguíneos.
A inflamação crônica favorece a formação de placas de gordura nas artérias (aterosclerose), aumentando o risco de infarto e AVC. Além disso, muitos pacientes apresentam fatores associados, como sedentarismo, ganho de peso e alterações metabólicas.
Em resumo: o paciente reumático apresenta maior risco cardiovascular do que a população geral.
Tratamento correto faz diferença
Controlar adequadamente a doença reumática não é apenas aliviar dor ou melhorar a mobilidade — é também reduzir o risco de complicações cardiovasculares.
Alguns medicamentos, como anti-inflamatórios e corticoides, quando utilizados de forma prolongada ou em doses elevadas, podem aumentar esse risco. Por isso, devem ser usados com cautela e sempre com orientação médica.
Por outro lado, os medicamentos modificadores do curso da doença, que controlam a inflamação, têm papel fundamental na proteção cardiovascular.
Ou seja: tratar bem o reumatismo é também proteger o coração.
A doença pode estar “escondida”
Um dos grandes desafios é a chamada aterosclerose subclínica, quando o processo de formação de placas ocorre de forma silenciosa ao longo de anos.
Nem todos os pacientes precisam de investigação avançada, mas, em casos selecionados, exames podem ajudar a identificar precocemente o risco e orientar melhor o tratamento.
A realidade do Amapá
No nosso estado, contamos atualmente com:
- 09 médicos reumatologistas inscritos no CRM-AP, sendo
- 04 atuando no Serviço de Reumatologia do Hospital de Clínicas Dr. Alberto Lima (SUS)
Na área cardiovascular, temos: - 29 médicos cardiologistas
- 06 cirurgiões cardiovasculares
Além dos especialistas, o cuidado passa também por médicos de Medicina da Família e Comunidade, clínicos e generalistas, fundamentais no controle de fatores de risco como hipertensão, diabetes e dislipidemia.
Fatores que fazem toda a diferença
Alguns pontos são decisivos para reduzir o risco cardiovascular no paciente reumático: - Controle adequado da doença reumática
- Cessação do tabagismo
- Controle rigoroso da diabetes
- Controle da pressão arterial e do colesterol
- Alimentação equilibrada
- Atividade física regular, respeitando limites individuais
Na nossa região, alimentos como o açaí podem ser aliados quando consumidos de forma equilibrada.
Cuidar da saúde é um trabalho em equipe
A mensagem é clara: o paciente reumático precisa de um cuidado integrado.
Isso envolve reumatologista, cardiologista, médico da família ou generalista — e, principalmente, a participação ativa do próprio paciente.
Mais do que remédio: relação médico-paciente
A medicina evoluiu muito, com mais opções terapêuticas e melhor entendimento das doenças. Mas algo continua essencial: a relação de confiança entre médico e paciente.
Entender a doença, aderir ao tratamento e manter o acompanhamento regular fazem toda a diferença no longo prazo.
Um olhar para o futuro
O Amapá possui profissionais capacitados e uma rede que, apesar dos desafios, consegue oferecer acompanhamento adequado quando há organização e acesso.
O grande desafio ainda é diagnosticar precocemente, tratar corretamente e manter o seguimento.
Porque, no fim, não estamos falando apenas de articulações — estamos falando de vida, prevenção e qualidade de vida.

