Ação integrada cumpre mandados em Macapá e Santana, apreende drogas e celulares e revela influência de lideranças criminosas mesmo dentro do sistema prisional
Nesta quinta-feira (26), a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Amapá (FICCO/AP) deflagrou a Operação Red Line, uma ofensiva de grande alcance voltada à desarticulação de organizações criminosas envolvidas em disputas territoriais e na prática de crimes violentos no estado. A ação faz parte de uma estratégia mais ampla de enfrentamento às facções que atuam na região e que vêm intensificando conflitos, sobretudo em áreas urbanas.

Ao todo, foram cumpridos 28 mandados de busca e apreensão nos municípios de Macapá e Santana, além de intervenções em unidades do sistema prisional. As equipes atuaram em pontos previamente mapeados pelas investigações como estratégicos para o funcionamento das organizações, incluindo residências utilizadas como base logística, locais de armazenamento de drogas e armas, além de espaços usados para planejamento e coordenação de atividades ilícitas.
As apurações indicam que os grupos criminosos operam com estrutura hierarquizada e divisão clara de funções. Entre os integrantes, há responsáveis pelo tráfico de drogas, pela guarda de armamentos e pela administração de recursos financeiros provenientes de atividades ilegais. Esse nível de organização reforça o grau de articulação das facções e o desafio imposto às forças de segurança no combate a essas estruturas.
Um dos pontos mais relevantes revelados pela operação é a constatação de que parte das ordens para execução de crimes partia de lideranças que já se encontram custodiadas no sistema prisional. Mesmo privadas de liberdade, essas lideranças continuariam exercendo comando sobre integrantes em liberdade, coordenando ações criminosas e influenciando disputas entre grupos rivais. O cenário evidencia a necessidade de reforço no controle e monitoramento dentro das unidades prisionais.

Durante o cumprimento dos mandados, foram realizadas buscas em residências e também em celas de presídios. A operação resultou na apreensão de aparelhos celulares, mídias digitais e entorpecentes. Os dispositivos eletrônicos, considerados peças-chave, serão submetidos à perícia técnica e podem revelar novas conexões, identificar outros integrantes das organizações e ajudar a esclarecer crimes ainda em investigação.
A ofensiva contou com a participação de diversas forças de segurança, demonstrando a integração entre os órgãos no enfrentamento ao crime organizado. Atuaram na operação equipes do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) e da Força Tática da Polícia Militar do Amapá, além da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (CORE) da Polícia Civil, do Núcleo de Operações Especiais (NOE) da Polícia Rodoviária Federal e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), vinculado ao Ministério Público do Amapá.
A FICCO/AP reúne instituições estaduais e federais, como a Polícia Federal, Polícia Militar, Polícia Civil, o Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (IAPEN) e a Secretaria de Estado da Justiça e Segurança Pública (Sejusp). A atuação conjunta tem como objetivo fortalecer o combate qualificado às organizações criminosas, ampliar a troca de informações de inteligência e reduzir os índices de violência no estado.
A Operação Red Line segue em andamento, e novas fases não estão descartadas. As autoridades destacam que o material apreendido poderá levar a novos desdobramentos, incluindo a identificação de outros envolvidos e o aprofundamento das investigações sobre a atuação das facções no Amapá.

