A cúpula do PL não vai recuar do apoio ao pré-candidato ao governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB), mesmo após a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro expor o atrito familiar em torno da construção da aliança no estado.
Sob reserva, dirigentes da legenda dizem que esse acordo no Ceará teve o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro. Também afirmam que o presidente do PL no estado, deputado federal André Fernandes, conta com o respaldo irrestrito da direção nacional para conduzir as articulações locais.
Michelle é contra o apoio a Ciro Gomes. Em vídeo divulgado nesta quarta-feira (24), ela citou uma série de declarações do pré-candidato para rechaçar a aliança com o PSDB já no primeiro turno.
“Não é questão de política, é questão de coerência. Ciro Gomes foi o principal responsável pelo processo que levou à inelegibilidade do meu marido. Durante a pandemia, numa live com outros esquerdistas, ele incentivou e conclamou as pessoas a chamarem o meu marido de genocida e pediu que repetissem isso o tempo todo”, afirmou a presidente do PL Mulher.
A ex-primeira-dama continuou: “Ele chamou o meu marido de ladrão de galinhas, de corrupto, de burro, de jumento, disse que Bolsonaro roubava gasolina, disse que as esposas de Bolsonaro seriam todas ladras, disse que os filhos do meu marido, os meus enteados, eram corruptos, que eram ladrões e deu a eles um apelido, ovos de serpente nazistoides. Essas foram as palavras de Ciro Gomes sobre os filhos do meu marido.”
Michelle defende o apoio ao senador Eduardo Girão (Novo-CE) ao governo do Ceará. Também quer lançar a deputada federal Priscila Costa (PL) a uma vaga no Senado, enquanto André Fernandes defende a candidatura do pai, o deputado estadual Alcides Fernandes.
Dirigentes da legenda, sob reserva, afirmam que Michelle defende um “preciosismo ideológico que não vence eleição”. Também dizem que todas as alianças foram autorizadas por Jair Bolsonaro, que vê na vitória do primogênito a chance de deixar a prisão e anular a condenação pela tentativa de golpe de Estado.
Membros do PL afirmam ainda que Girão, além de ser filiado ao Novo, partido que tem Romeu Zema como pré-candidato ao Planalto, não teria fôlego para disputar o governo de um estado estratégico como o Ceará.
Outro argumento é que André Fernandes, de 28 anos, representa uma força política no estado e é uma das principais lideranças jovens do PL.
Em 2024, o deputado federal disputou o segundo turno para a Prefeitura de Fortaleza. Foi derrotado por menos de um ponto percentual. Evandro Leitão (PT) foi eleito com 50,38% dos votos, enquanto Fernandes obteve 49,62%.
No vídeo, Michelle afirmou que não vai “trocar valores por pragmatismo político oportunista”.
“Também não estou impedindo ninguém de fazê-lo, mas acho errado fazê-lo no primeiro turno. Ciro não terá meu apoio nunca e, na minha opinião, não deveria ter o apoio de ninguém da direita que apoia Bolsonaro. Mas essa é apenas a minha opinião, e eu tenho direito de tê-la”, disse.
Fonte: CNN Brasil

