A escolha do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) consolidou uma chapa puro-sangue na disputa pelo Palácio do Planalto.
Sem uma coligação nacional com outras legendas, o senador deixa de acrescentar ao seu horário eleitoral o tempo de outros partidos. O tamanho do PL, no entanto, deve garantir ao candidato uma das maiores vitrines na televisão e no rádio durante a campanha.
Uma projeção publicada em julho, quando Flávio ainda tentava atrair partidos do Centrão, apontava que uma candidatura sustentada apenas pelo PL teria cerca de 4 minutos e 18 segundos em cada bloco de 12 minutos e 30 segundos destinado à eleição presidencial.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), considerando os apoios de PSB, PDT e da Federação PSol-Rede, além da Federação Brasil da Esperança, teria 5 minutos e 34 segundos. Ronaldo Caiado (PSD) ficaria com 2 minutos e 2 segundos, e Augusto Cury (Avante), com 36 segundos.
Com o encerramento das convenções e a formação da chapa apenas com integrantes do PL, o cenário projetado para Flávio se aproximou daquele considerado no levantamento. A divisão definitiva, contudo, depende dos registros das candidaturas e do plano de mídia da Justiça Eleitoral.
Peso do PL
O partido de Flávio tem 98 deputados federais, a maior bancada da Casa.
Para calcular o tempo de televisão, porém, a Justiça Eleitoral não considera simplesmente quantos deputados cada partido tem hoje. A referência é o resultado da eleição para a Câmara dos Deputados em 2022, atualizado apenas por eventuais retotalizações feitas até 20 de julho de 2026. Mudanças de partido ao longo da legislatura são desconsideradas.
Na prática, isso significa que a filiação de um deputado a outra legenda durante o mandato não aumenta o tempo de TV desse partido. Já uma mudança provocada pela própria Justiça Eleitoral pode alterar a conta.
Foi o que aconteceu no Ceará: uma retotalização dos votos de 2022 retirou o mandato de Dayany Bittencourt (União Brasil-CE) e transferiu a vaga para Priscila Costa (PL-CE). Em Alagoas, outro recálculo retirou o mandato de Paulão (PT-AL), cuja cadeira passou a Nivaldo Albuquerque (Republicanos-AL).
Definida essa representação, a maior parte do horário eleitoral depende do tamanho das bancadas. Pelas regras do TSE, 90% do tempo são distribuídos proporcionalmente ao número de deputados e 10% são divididos de forma igualitária entre as candidaturas com direito à propaganda.
Na eleição presidencial, quando há coligação, entram nessa conta as representações dos seis maiores partidos ou federações que fazem parte da aliança.
É justamente o tamanho do PL nessa conta que permite a Flávio manter uma fatia expressiva do horário eleitoral mesmo com uma chapa puro-sangue. A entrada de outros partidos na coligação de Flávio poderia ampliar ainda mais esse espaço, porque suas bancadas seriam incorporadas ao cálculo.
Para presidente, cada bloco do horário eleitoral tem 12 minutos e 30 segundos. A propaganda será exibida às terças, quintas e sábados, duas vezes por dia no rádio e duas na televisão. No primeiro turno de 2026, a veiculação começa em 28 de agosto e termina em 1º de outubro.
Redes ganham espaço na estratégia
Outra frente adotada por Flávio são as transmissões ao vivo nas redes sociais, em um formato inspirado nas lives que Jair Bolsonaro fazia regularmente quando era presidente.
O senador reativou o canal no YouTube e começou, em julho, uma série de transmissões com conteúdo político. Na primeira delas, afirmou que estava fazendo “como o presidente Bolsonaro fazia”, ao defender uma comunicação direta com os seguidores.
A campanha avalia ampliar esse tipo de conteúdo e transformar as lives em uma ferramenta recorrente ao longo da disputa eleitoral.
A estratégia também já foi usada para responder a episódios da própria campanha. Em 23 de julho, por exemplo, Flávio fez uma transmissão ao vivo para rebater suspeitas relacionadas ao Banco Master e críticas à cobertura de seu nome.
Entre os pontos ainda não detalhados estão quanto do orçamento será direcionado a impulsionamento e produção digital, se haverá estruturas específicas para WhatsApp, Instagram e TikTok e qual papel a campanha reservará à televisão diante do alcance que o próprio PL assegura a Flávio.
A configuração permite à campanha trabalhar com dois canais de alcance distintos: uma presença significativa no horário eleitoral, capaz de atingir eleitores menos expostos ao debate político nas redes, e uma estrutura digital voltada à mobilização e à circulação contínua de conteúdo.
Fonte: Metrópoles

