No Brasil, ganha força a possibilidade de combinar vacinas contra a covid-19 desenvolvidas com tecnologias diferentes, tanto para aumentar a proteção conferida quanto para contornar a falta de imunizantes, principalmente após a Alemanha oficializar a recomendação de mistura de vacinas após a chanceler alemã, Angela Merkel, receber a vacina Moderna como sua segunda dose após uma primeira dose da vacina AstraZeneca.
Acredita-se que a chamada intercambialidade será a palavra mais ouvida em breve em diversos países. Em 2020, a combinação da primeira dose de AstraZeneca com uma segunda de Sputnik V começou a ser cogitada, mas os testes ainda não começaram. Os resultados mais completos até agora são os que combinam a primeira dose da AstraZeneca/Oxford com uma segunda de Pfizer/BioNTech. A combinação seria mais potente para estimular a produção de anticorpos neutralizantes e a ação de células de defesa T.
Um estudo atual nas Filipinas investiga a combinação da CoronaVac com outras seis vacinas aprovadas no país. Atualmente, as possibilidades de intercambialidade são muito amplas, pois há 16 vacinas contra a covid aprovadas para uso em um ou mais países. No entanto, os estudos ainda estão em curso. Outro ponto que precisa ser levado em consideração nas análises seria os efeitos adversos num prazo maior e com mais pessoas testadas, pois os estudos são feitos atualmente com pequenos grupos.
O Com-COV, da Universidade de Oxford, mostra que a combinação da AstraZeneca com a Pfizer pode causar mais efeitos adversos que usar duas doses de uma mesma vacina. Já um estudo alemão, liderado pela Universidade de Saarland, não observou efeitos diferentes dos vistos com doses do mesmo imunizante. A pneumologista e pesquisadora da Fiocruz, Margareth Dalcolmo, explica que “O intercâmbio de vacinas é uma possibilidade promissora por múltiplos aspectos. Ele supre a demanda e aumenta a proteção. Mas ainda é preciso saber qual a combinação ideal, em que período entre uma dose outra e em que circunstâncias” diz.
A cientista coordena no Brasil um estudo internacional liderado pela Austrália para descobrir se a vacina da tuberculose, a BCG, pode servir como reforço para os imunizantes de Covid-19, em caso de necessidade, como o de profissionais de saúde, categoria exposta por mais tempo e a uma maior carga viral.
Os cientistas analisam dados de 2.600 pessoas já vacinadas com a Covid-19 e a BCG, para avaliar a intensidade e a duração de sua proteção contra a infecção pelo coronavírus. O estudo que foi feito com profissionais da saúde deve durar um ano.

