A Polícia Civil do Amapá prendeu cinco pessoas na manhã desta segunda-feira (26) na operação carta fria. A ação investiga fraudes na emissão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) no Amapá.
Entre os presos estão, uma servidora do Departamento Estadual de Trânsito do Amapá (Detran-AP) e uma servidora dos Correios.
Além das funcionárias públicas, também houve as prisões de dois despachantes clandestinos no estado. Os nomes dos presos não foram divulgados pela polícia.
O esquema era conduzido por um criminoso que foi preso em um apartamento de luxo em Balneário Camboriú/SC e segundo as investigações era o responsável pela captação de “compradores” das CNHs.
“Esse cooptador acreditamos que seja o principal intermediador, porque ele já foi preso em 2013 no estado de São Paulo em situação bastante parecida. Ele conhecia um dos despachantes clandestinos, através de amizades de penitenciários, e a partir desse laço se formou esse esquema complexo”, detalhou o delegado Estefano Santos, chefe da Divisão de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco).
Ainda segundo as investigações, o esquema iniciava com a captação de pessoas reprovadas nos exames de admissão do Detran.
“As pessoas pagavam valores que variavam de R$ 3 mil a R$ 30 mil. O cooptador chegava a fazer o chamado consórcio de CNHs. Ele emitia um talão com diversos boletos e as pessoas pagavam de forma parcelada o seu documento”, detalhou o delegado.
O cooptador repassava parte dos valores para os despachantes clandestinos no Amapá.
O diretor-presidente do Detran-AP, Inácio Maciel, explicou que esses despachantes enviavam parte dos valores e também os nomes a uma servidora do Detran-AP, que os inseria no sistema como se fossem estrangeiros requerendo a CNH brasileira.
As habilitações eram entregues a servidora dos Correios que enviava os documentos aos compradores de todo o país.
Ainda de acordo com Maciel, essa funcionária do Detran foi exonerada em dezembro de 2020, após uma operação da Draco.
Pelo menos 75 CNHs foram emitidas no ano passado através do esquema fraudulento. Outros 370 documentos emitidos entre 2015 e 2019 serão analisados a fim de descobrir se houve irregularidades.
As CNHs que foram emitidas pelo esquema fraudulento serão canceladas e as pessoas que os documentos fraudados também devem responder criminalmente por corrupção ativa e falsidade ideológica.

