A repórter Jessica Dias, da ESPN, assediada por um torcedor do Flamengo em transmissão na noite de quarta-feira (7), no Maracanã, afirmou que o gesto “não foi apenas um beijinho no rosto”. “Eu sofri importunação sexual enquanto trabalhava, e isso é crime”, disse a jornalista. “Eu não queria beijo, não queria carinho, não queria passar três horas em uma delegacia. Eu só queria trabalhar.”
Jéssica fazia uma passagem ao vivo perto de diversos torcedores pouco antes do início do jogo entre Flamengo e Vélez Sarsfield quando o homem se aproximou e lhe deu um beijo no rosto, deixando-a visivelmente constrangida.
O torcedor foi preso pouco depois. Jéssica afirmou que não pretende dar entrevistas por enquanto porque está focada em seu casamento, marcado para o próximo sábado. Mas escreveu sobre o caso em uma rede social.
“Antes (do beijo) teve muitos xingamentos e importunação porque o ao vivo demorava. Pedi calma e para que não ficassem xingando, não precisava. Vieram os pedidos de desculpas com alisamentos nos ombros e um beijo no local”, contou a repórter.
“Eu estava prestes a ser chamada para o link e mantive a posição. Existe uma logística que exige concentração. Outra tentativa de beijo no ombro. Eu me esquivei e meu câmera chamou a atenção dele. O último ato foi o beijo no rosto. Que poderia ter sido na boca, e não mudaria nada. Eu sofri importunação sexual enquanto trabalhava, e isso é crime. Eu não queria beijo, não queria carinho, não queria passar três horas em uma delegacia. Eu só queria trabalhar.”
A repórter contou ainda que o filho do torcedor, um adolescente, pediu desculpas a ela pelo gesto do pai, e encerrou a nota falando sobre o seu casamento, no próximo sábado. “O ser humano que fez isso estava com um filho menor de idade, que se desculpou pelo pai. O menino não tem culpa, não punam a família dele”, escreveu a jornalista.

