A afirmação foi feita em seu primeiro relato público a respeito do caso em uma audiência judicial realizada em um tribunal federal de Nova York, nos Estados Unidos. Ela se declarou culpada nas acusações de fraude e está colaborando com os promotores federais de Manhattan.
Investigações apontaram que o dinheiro recebido pelo ex-CEO da FTX, Samuel Bankman-Fried, se misturava aos fundos da Alameda Research e era usado para financiar investimentos em vários empreendimentos, além de compra de imóveis e doações políticas – tudo isso sem o conhecimento dos investidores.
“Eu sabia que era errado. De 2019 a 2022, eu sabia que a Alameda tinha acesso a um mecanismo de empréstimo na FTX, a corretora de criptomoedas administrada pelo senhor Bankman-Fried”, afirmou Ellison em seu depoimento.
Segundo a ex-CEO da Alameda, o acordo com a FTX permitiu à empresa “ter acesso a uma linha de crédito ilimitada sem ser obrigada a depositar garantias, sem ter saldos negativos e sem estar sujeita a chamadas de margem nos protocolos de liquidação da FTX”.
De acordo com Ellison, “se as contas na FTX da Alameda tivessem saldos negativos significativos em qualquer moeda específica, isso significava que a Alameda estava pegando emprestado recursos que os clientes da FTX haviam depositado na corretora”.
Na semana passada, Bankman-Fried, que havia sido preso, foi solto pela Justiça após pagar fiança de US$ 250 milhões (o equivalente a quase R$ 1,3 bilhão).
O acordo tomou como base a parte de Bankman-Fried na casa da família, em Palo Alto, na Califórnia, além de uma longa lista de requisitos para que o acusado permaneça em liberdade no decorrer do processo.
As acusações contra Bankman-Fried
Bankman-Fried é alvo de oito acusações criminais, incluindo fraude eletrônica, conspiração, fraude de valores mobiliários e lavagem de dinheiro. Ele foi indiciado pelas autoridades dos Estados Unidos e pode pegar uma pena total de até 115 anos de prisão.
Se condenado, o ex-CEO da FTX pode pegar 20 anos de prisão por cada acusação de fraude eletrônica e lavagem de dinheiro, além de cinco anos por cada fraude no mercado de valores mobiliários e no financiamento de campanhas políticas.
De acordo com a Comissão de Valores Mobiliários e Câmbio dos EUA, o fundador da FTX orquestrou “uma fraude massiva, desviando bilhões de dólares dos fundos de clientes da plataforma de negociação para seu próprio benefício pessoal e para ajudar a aumentar seu império criptográfico”.
A comissão apresentou um documento de quase 30 páginas com acusações contra o empresário, incluindo o desvio de recursos dos clientes para aplicações de alto risco na Alameda Research.
Com informações do Metrópoles

